Ato no TRE-SP reafirma que servidores/as têm que entrar no Orçamento do PJU
Categoria cobrou que o STF se movimente para derrubar os vetos de Lula, envie o projeto de reestruturação da carreira com sobreposição das tabelas ao Congresso Nacional e busque orçamento para retomar isonomia na saúde.
Por: Luciana Araujo

Com a palavra de ordem "Ei, Fachin, derruba o veto pra mim!", servidores e servidoras que participaram do ato desta quinta-feira (23 de abril de 2026), em frente ao Tribunal Regional Eleitoral, destacaram a importância de reforçar nacionalmente a mobilização. O protesto reuniu presencialmente colegas das justiças Eleitoral, Federal e do Trabalho e também contou com a participação on-line. Servidores/as da Vara Trabalhista de Mauá, que lutam com apoio do Sindicato contra o fechamento da unidade também estiveram presentes, assim como requisitados/as da Justiça Eleitoral.
Logo no início da atividade foi ressaltada a importância da audiência marcada para esta sexta (24) entre o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, e representantes da Federação Nacional da categoria (Fenajufe) e sindicatos. É o momento de cobrar o envio do projeto de reestruturação da carreira com sobreposição das tabelas salariais ao Congresso Nacional.
Pela proposta construída pela categoria em duas plenárias nacionais da Fenajufe, analistas seriam equiparados/as ao ciclo de gestão, tendo como paradigma a tabela salarial da Receita Federal do Brasil. Os técnicos passariam a ter os vencimentos base equivalente a 85% da tabela de analistas, e os cerca de 200 auxiliares que ainda estão na ativa receberiam 70% do valor dos analistas.
"Vamos exigir dele uma atuacão pela derrubada do veto porque queremos a recomposição salarial e a reestruturação com sobreposição das tabelas", informou a dirigente.da Federação eleita pelo coletivo LutaFenajufe, Luciana Carneiro, que estará comitiva de servidores/as que vão participar da audiência com Fachin.
Reajuste
A outra cobrança do ato é que o ministro atue para que o parlamento convoque sessão do Congresso Nacional e derrube os vetos presidenciais às parcelas de 8% de reajuste salarial aprovadas na Câmara dos Deputados e no Senado para 2027 e 2028, e também ao reconhecimento dos riscos da atividade de oficiais de justiça.
"Vamos pressionar o Fachin, assim como fizemos com o Barroso, que recebeu a categoria quando a gente levou caravanas e realizamos atos em todos os estados. A gente sabe que só a pressão funciona", afirmou Isabella Leal, diretora do Sintrajud.
Também diretora do Sindicato e servidora aposentada do TRF-3, Ana Luiza Figueiredo, destacou que "cada centavo dos nossos salários foi conquistado com luta, com mobilização. E é isso que precisamos construir e exigir da nossa Federação: retomar as ruas, com atos, caravanas e greve. E avisar ao Fachin que não aceitamos que tomem todo o orçamento em benefício da magistratura. Além de denunciar este governo que vetou parte do nosso reajuste". “Vamos também cobrar o auxílio-nutrição para aposentados e aposentadas”, disse Ana Luiza.
"Enquanto estamos aqui neste ato, os trabalhadores, funcionários e estudantes da USP estão em greve. Esse é o exemplo", afirmou o dirigente da CSP-Conlutas Fabiano dos Santos.
Saúde
A luta pela garantia da assistência em saúde também foi pauta do ato, que cobrou a contratação de plano de saúde no TRE-SP, denunciou a tentativa do TRF-3 de impor o modelo de coparticipação no custeio dos planos e ressaltou a necessidade da cúpula do Judiciário retomar a isonomia na distribuição do orçamento da saúde para servidores e a magistratura, além de pagar o adicional previsto na Resolução 294/2023 do Conselho Nacional de de Justiça.
"O Tribunal não tem plano contratado, então não pode cobrar comprovante. E queremos também a implementação dos 50% [de adicional para servidores/as e dependentes com mais de 50 anos de idade, doença grave e/ou deficiência]. Outra preocupação é com os/as colegas requisitados/as", lembrou Maurício Rezzani, também diretor do Sindicato e aposentado do TRE.
Outro dirigente do Sintrajud, Cléber Aguiar, também destacou a emergência da mobilização unificada em torno à pauta da assistência médica. "Vim do TRF, eu trabalho lá, e o tema da saúde é muito importante. Lá nós fizemos uma mobilização, e no ano passado em R$ 17,5 milhões a mais que a gente conseguiu [referindo-se a suplementação orçamentária para cobertura da sinistralidade alegada pela operadora do plano no Regional]. É muito importante um bom plano contratado pelo Tribunal, e a Geap não supre isso. Lá no TRF nós lutamos muito por isso, e agora eles querem impor a coparticipação, porque é uma exigência das operadoras. Apesar de a gente ser o Davi nessa história, a gente pode vencer, como já vencemos várias vezes, conquistamos três PCSs e os 11,98%, reajustes", lembrou.





