Muito além das medalhas: atletismo e integração marcam a ONJF 2026
Atletismo bate recorde de medalhas, enquanto os Jogos fortalecem a união e a integração entre servidores de todo o país
Por: JEFERSON LUIZ CHOMA

A participação dos servidores e servidoras do Judiciário Federal de São Paulo na 23ª Olimpíada Nacional do Judiciário Federal (ONJF), realizada entre 19 e 25 de setembro, em Aracaju (SE), terminou com um recorde de 111 medalhas e o 8º lugar na classificação geral.
Mas a ONJF vai muito além das disputas por medalhas. Os Jogos são também um espaço de encontro, convivência e integração entre servidores e servidoras. Colegas que trabalham em diferentes unidades se aproximam durante os meses de preparação e, durante a competição, estabelecem vínculos com trabalhadores de outros tribunais e regiões do país. Para muitos participantes, são relações que permanecem mesmo depois do encerramento das provas.
Atletismo bate recorde de participação e medalhas
Um dos grandes destaques da delegação paulista foi o atletismo, que conquistou 55 medalhas, mais que o dobro das 26 obtidas no ano passado, consolidando-se como a maior modalidade da delegação de São Paulo, tanto em número de atletas quanto de medalhas.
Segundo Reginaldo Brito, diretor da modalidade pelo Comitê Olímpico do TRT-2 nos últimos dois anos, o número de inscritos mais do que dobrou, com participantes em diferentes provas e faixas etárias.
“O atletismo cresceu muito nos dois últimos anos. No ano passado, a gente teve 34 inscritos no atletismo; este ano, a gente teve 87, em várias provas, em várias faixas etárias. E isso acabou nos trazendo um recorde de medalhas”, relata Reginaldo.
Ouro nos 100 metros
A medalha de ouro conquistada por Ricardo Godoy nos 100 metros rasos, na categoria de 40 a 44 anos, foi um dos destaques do atletismo paulista na ONJF. Jogador de futsal e futebol society, ele começou a participar das provas de velocidade por incentivo dos colegas do atletismo e conquistou duas medalhas de prata em sua estreia, em 2024. Neste ano, conciliou a preparação com os treinos de futebol e os cuidados com o filho. Em Aracaju, chegou à pista após disputar uma partida de futsal e enfrentou adversários que já haviam sido campeões da prova. A disputa foi decidida por décimos de segundo. “Foi uma corrida muito próxima, uma corrida linda. [...] Eu falei: é a única corrida que vou fazer, então vou dar minha vida aqui e tentar ganhar o ouro”, relata. A vitória marcou sua primeira medalha de ouro na competição. “Foi muito especial mesmo. Agora é continuar a preparação para o ano que vem”, comemora.
Ricardo Godoy nos 100 metros rasos, na categoria de 40 a 44 anos.
A servidora aposentada do TRT-2 Cibele Messora também se destacou na ONJF deste ano. Além da natação, sua principal modalidade, disputou as provas de atletismo dos 100 e 200 metros rasos, conquistando duas medalhas deouto e prata.. “Consegui com muita garra duas medalhas de prata, fiquei muito contente”, comemora. Cibele participa das Olimpíadas desde 2014, quando estreou em Maceió e conquistou dois bronzes na natação, tornando-se, segundo seu relato, a primeira mulher medalhista pelo TRT-2. Em Aracajú, a servidora atletismo conquistou com muita garra 2 medalhas de prata além das 2 de ouro e 1 de prata na natação. Para ela, os Jogos vão além da competição e da convivência entre colegas. “É uma superação de vida que me traz energia, alegria, saúde”, afirma. A atleta também destaca o incentivo do pai, a quem dedica todas as medalhas conquistadas.
Salto Triplo
Mariana Correia Pinto, que participou pela segunda vez da ONJF, também voltou ao pódio, desta vez no salto triplo, depois de conquistar uma medalha no salto em distância em 2025.
“São conquistas que têm um significado enorme para mim, não apenas pelo resultado, mas por tudo o que representam em termos de desafio pessoal, dedicação e superação”, conta.
Para Mariana, entretanto, a experiência vai além dos resultados esportivos. “E ainda tem as amizades! A gente se aproxima de colegas da própria delegação, conhece pessoas de outros tribunais, de diferentes lugares do Brasil, que talvez nunca cruzassem nossos caminhos se não fosse pelo esporte. São encontros que viram amizades, histórias que ficam e vínculos que continuam muito depois dos Jogos”, afirma.

Abraço emocionante durante a ONJF 2026 simboliza o espírito de união e companheirismo entre os atletas, que compartilham conquistas, alegrias e momentos de superação para além das medalhas.
Inclusão e participação de atletas com deficiência
Angélica Martines, servidora do TRT-2, pratica esportes há 38 anos. Sua trajetória na ONJF teve início em 2024, em Manaus, pelos jogos de tabuleiro, uma das portas de entrada para quem começa a participar da competição.
“Lá eu fui competir em dama e xadrez, e quem me incentivou a começar a competir nas ONJF foi uma amiga oficial de Justiça, que sempre dizia para eu ir competir na natação nas Olimpíadas. No ano de 2025, fui colocada em um grupo de PCDs no WhatsApp, onde tem diversos amigos de todos os estados do Brasil, e lá eles me incentivaram a participar dos 100 metros rasos no atletismo”, explica.
Em 2025, Angélica conquistou a prata nos 100 metros. Na edição deste ano, levou duas medalhas de ouro, nos 100 e nos 200 metros rasos em cadeira de rodas.
A prova dos 200 metros foi um dos momentos mais marcantes de sua participação. Angélica recorda a torcida dos colegas de diferentes estados durante o percurso e os abraços que recebeu depois de cruzar a linha de chegada.
“Mas recordar dos meus 200m me enche de alegria. Foi uma coisa que só quem estava ali pode descrever, foi lindo demais, os colegas do Brasil todo me aplaudindo, gritando meu nome e dizendo: ‘vai, você consegue’. Gente, não tem preço. Quando passei a linha de chegada, as colegas PCDs vieram me abraçar. Por mais que eu queira descrever, não tem como.”
A experiência também chama a atenção para a importância de ampliar as oportunidades de participação de atletas com deficiência e garantir condições de acesso às diferentes modalidades.
“Colegas PCDs, às vezes você pode achar que o que você faz não te traria nenhuma medalha, mas a maior honra é desafiar a nós mesmos”, afirma Angélica. E acrescenta: “Como sempre digo, o importante é participar, medalhas são consequências.”
Apoio do Sintrajud ajudou atletas na preparação e participação
A preparação para as Olimpíadas começa muito antes das provas. Envolve meses de treinos, organização e mobilização. Nesse processo, os atletas paulistas contaram com o apoio do Sintrajud, que reembolsou aos filiados a taxa de inscrição na ONJF e também contribuiu diretamente para a estrutura de treinamento.
No atletismo, o apoio do Sindicato possibilitou a compra de equipamentos como pesos, discos, dardos, sarrafo para salto em altura e blocos de partida.
“Foi muito importante o apoio, o papel do sindicato no apoio à modalidade e com certeza ajudou bastante nos resultados”, afirma Reginaldo.
Para Mariana, o crescimento da delegação também está relacionado às condições construídas para que mais pessoas possam participar.
“A ONJF começa muito antes dos dias de competição. São meses de planejamento, mobilização, treinos, desafios e muito trabalho coletivo. Tem muita gente nos bastidores, dedicando tempo, energia e carinho para fazer tudo acontecer. E nada disso seria possível sem o apoio do Sintrajud e do Tribunal, que são fundamentais para viabilizar nossa participação, incentivar os treinos, atrair novos atletas e fortalecer cada vez mais a nossa delegação.”
Como participar?
A experiência dos atletas mostra que não é preciso esperar até se considerar pronto para disputar uma ONJF. Há diferentes modalidades e oportunidades para quem já pratica alguma atividade física ou tem interesse em começar a competir, inclusive nos jogos de tabuleiro.
Angélica deixa o convite: “O meu recado para os atletas PCDs ou não é: se você faz alguma atividade, nada, joga, arremessa, corre, joga jogos de tabuleiro, vem participar. Tenho certeza que não irá se arrepender.”
Reginaldo também incentiva quem ainda está em dúvida a experimentar os Jogos. Ele conta que, depois da primeira participação, intensificou a preparação para voltar e conquistar uma medalha.
“Eu diria: só vai, só vai. Porque as Olimpíadas, além de serem um espaço de competição, são, muito mais do que isso, um espaço de integração. Integração com os colegas do próprio TRT-2 e também com colegas dos outros regionais.”
E conclui com um convite: “Então, se alguém ainda tem dúvida, acha que é difícil, eu digo: só vai. Vai conhecer. Depois, não vai querer parar de participar.”





