Auditoria Cidadã prepara carta-compromisso a ser apresentada a pré-candidaturas
Concorrentes aos poderes executivos da União, legislativos federal e estaduais serão instados a se manifestar sobre o sistema da dívida e direitos da população afetados pelo gasto com a remuneração de banqueiros e investidores.
Por: Luciana Araujo

Em ano eleitoral, ganha peso o debate sobre as prioridades orçamentárias nos programas de governo e plataformas de mandato. Por isso, o conselho político da Auditoria Cidadã da Dívida, integrado pelo Sintrajud, aprovou encaminhar a todas as pré-candidaturas que estão se apresentando à Presidência da República e aos legislativos Federal (Câmara dos Deputados e Senado) e estaduais uma carta-compromisso que poderá ser subscrita pelos/as postulantes a cargos eletivos abordando a questão da dívida pública e direitos sociais.
Há mais de 25 anos a Auditoria Cidadã da Dívida (ACD) divulga os impactos do sistema da dívida sobre os orçamentos da saúde, educação, cultura, funcionalismo público, segurança e demais direitos da população, demonstrando que o Brasil vem mantendo uma política orçamentária das mais injustas no planeta.
O gráfico do orçamento federal executado em 2025 (disponível clicando aqui) demonstra que os juros pagos pela emissão de títulos públicos consumiram cerca de R$ 1,1 trilhão. Somadas as amortizações (pagamento do valor principal corrigido e atualizado), foram drenados 42,24% do Orçamento Federal Executado (R$ 2,135 trilhões).
O escândalo do Banco Master, que revelou as relações perigosas entre agentes públicos e banqueiros e investidores que se beneficiam de métodos típicos da agiotagem, ressalta a importância deste debate.
O objetivo é saber o posicionamento da pré-candidatura sobre a Campanha Nacional por Direitos Sociais e reivindicações das entidades que integram a mobilização. Também será questionado se o/a postulante a cargo eletivo é favorável à limitação da taxa de juros no país, à mudança do modelo econômico injusto e produtor de escassez em vigor no Brasil, à realização da auditoria integral da dívida pública com participação cidadã, conforme previsto na Constituição Federal (artigo 26 do ADCT) e também da “dívida dos estados”.
Também consta no documento a consulta sobre anulação da equivocada independência do Banco Central, e se a pré-candidatura assume o compromisso de incluir textualmente esses temas em seu programa de governo ou plataforma de mandato.





