TRF/JF: Categoria e Sindicato repudiam coparticipação em saúde
Audiência pública evidenciou indisposição de buscar orçamento adequado, o que joga os custos do plano nas costas da categoria; Sindicato reforça convocação ao ato do dia 23.
Por: Luciana Araujo
1. Incremento orçamentário como condição prévia para qualquer discussão sobre plano de saúde;
2. Exclusão da coparticipação do novo Termo de Referência;
3. Manutenção das regras de reembolso nos moldes do contrato vigente, com multiplicadores atuais, reembolso de exames e cobertura de despesas hospitalares;
4. Isonomia entre magistrados e servidores no valor do auxílio-saúde;
5. Garantia da manutenção do adicional de 50% para servidores/as e dependentes com 50 anos ou mais ou com deficiência.

O auditório do 14⁰ andar ficou lotado de servidores e servidoras na audiência pública sobre planos de saúde realizada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região nesta sexta-feira (10 de abril).
Foi bastante aplaudida uma das manifestações por escrito questionando a própria audiência, diante da rejeição ao modelo de coparticipação por 78% das pessoas que responderam à pesquisa realizada pelo Tribunal.
O Sintrajud também foi bastante aplaudido quando apresentou as propostas da entidade. São elas:
1. Incremento orçamentário como condição prévia para qualquer discussão sobre plano de saúde;
2. Exclusão da coparticipação do novo Termo de Referência;
3. Manutenção das regras de reembolso nos moldes do contrato vigente, com multiplicadores atuais, reembolso de exames e cobertura de despesas hospitalares;
4. Isonomia entre magistrados e servidores no valor do auxílio-saúde;
5. Garantia da manutenção do adicional de 50% para servidores/as e dependentes com 50 anos ou mais ou com deficiência.
Solução é buscar orçamento necessário
O advogado César Lignelli questionou o fato dos dados apresentados não terem sido divulgados previamente, comprometendo a transparência.
“E esse diagnóstico tem um problema. Não enfrenta o congelamento dos subsídios há anos. A gente precisa brigar por orçamento”, alertou o coordenador do departamento Jurídico do Sindicato.
“A sinistralidade de 75% significa que a operadora tem lucro líquido de, no mínimo, 25% do contrato. Sem falar nos hospitais e credenciados que são administrados pela própria operadora. E a coparticipação não garante previsibilidade [como alega o Tribunal], porque o termo de referência não estabelece que com o modelo não haverá reajuste”, lembrou ainda o advogado.
“E a gente não pode esquecer que atrás de todos esses números existe uma servidora, um servidor, que deixou ou está deixando a sua saúde no Tribunal e merece ser bem atendido”, encerrou Lignelli.
O diretor Cleber Borges Aguiar reafirmou os argumentos do advogado, acrescentando que o modelo de gestão e o assédio moral no Regional aprofundam o adoecimento. “Obviamente, devido ao trabalho, às altas metas e ao stress, que traz esse adoecimento, a sinistralidade aumenta”, ressaltou.
Clique aqui e conheça o memorial apresentado pelo Sintrajud
TRF-3 toma partido das operadoras de saúde
Apesar da ampla rejeição da categoria à coparticipação e risco de esvaziamento dos planos, o diretor da Subsecretaria do Pró-Social, Benefícios e Assistência à Saúde, Alisson Santos Calado, defendeu o novo modelo proposto com os argumento de que o perfil etário e de utilização dos planoa do Tribunal é alto.
O gestor chegou a afirmar que a administração estaria “tentando trazer uma conscientização”, insinuando que haveria mau uso dos planos pela categoria.
Alisson admitiu também que, mesmo com os usuários/as pagando até R$ 279,86 por vida no plano versátil e R$ 506,30 no plano dinâmico com a coparticipação, a rede atualmente estudada pelo Regional “seria próxima” e não igual à atual.
O contrato atual vigora até 31 de outubro deste ano e o Sindicato tomará todas as medidas cabíveis para evitar mais uma vez a coparticipação.
Há pelo menos 20 anos as administrações do TRF tentam emplacar o modelo que obrigaria servidores e servidoras a pagar parte do atendimento, além das mensalidades, como a realização de exames e atendimento em pronto-socorro, previsão da proposta apresentada pelo Regional.
Em uma postura racista, Maramélia Miranda de Araújo Alves, médica da Seção Judiciária de São Paulo, chegou a declarar duas vezes que “fazem bonequinho de vodu de mim porque eu defendo a coparticipação”.
“As operadoras não querem assumir esses custos sozinhas”, disse Rogério
O gestor reconheceu, no entanto, que a coparticipação “é um mecanismo que com certeza não é benéfico para o servidor, mas é benéfico para as operadoras. Tem operadoras que já não participam mais de licitação com o poder público”.
Todos/as ao ato no dia 23!
Diante da postura do Tribunal, a diretoria do Sindicato reforça a importância de uma forte mobilização no próximo dia 23 de abril. Às 14 horas, acontecerá um ato unificado de toda a categoria em frente ao TRE-SP (Rua Francisca Miquelina, 123).
O ato vai cobrar a derrubada dos vetos 45 (reajuste em 2027 e 2028) e 12 (reconhecimento dos riscos do oficialato), carreira com sobreposição das tabelas, mais verbas para a saúde e auxílio nutrição para os aposentados e aposentadas. É ano de eleição e hora de pressionar o Congresso Nacional e também pressionar o STF, que está concedendo tudo para os juízes e deixando os servidores de lado.
A audiência prosseguirá na parte da tarde e o Sindicato continuará acompanhando.




