Ataque à Venezuela expõe nova ofensiva imperialista dos EUA na América Latina
Por: Jeferson Choma

Na madrugada de 3 de janeiro, forças militares dos Estados Unidos lançaram uma ofensiva aérea de grande escala contra o território venezuelano. Bombardeios atingiram Caracas, alcançando complexos e bases militares. Na mesma operação, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram sequestrados e levados para território estadunidense, sob a acusação de suposto envolvimento com o tráfico de drogas.
Ofensiva neocolonial
A alegação de “combate ao narcotráfico” ou “devolver a democracia” ao país, no entanto, tem sido amplamente questionada e aparece como uma cortina de fumaça para a ação.
A fragilidade da narrativa de Donald Trump sobre o enfrentamento ao narcotráfico ficou ainda mais evidente quando, em 6 de janeiro, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos recuou da acusação de que Maduro lideraria o suposto Cartel de Los Soles. Já a farsa do discurso de “restauração da democracia” desmoronou quando o próprio Trump optou por negociar com Delcy Rodríguez, vice-presidente do governo Maduro, mantendo intacta a estrutura do regime ditatorial venezuelano.
Esses fatos evidenciam que tanto a suposta “defesa da democracia” quanto o suposto “combate ao narcotráfico” são parte de uma estratégia mais ampla do imperialismo norte-americano para legitimar sua intervenção política e econômica na região.
Muitos analistas apontam que o verdadeiro objetivo da ofensiva é o controle das vastas reservas de petróleo e de recursos minerais da Venezuela, além da imposição de um regime subordinado aos interesses de Washington. O próprio Donald Trump reconheceu essa motivação ao afirmar que empresas petrolíferas dos Estados Unidos assumiriam a exploração do petróleo venezuelano e ao declarar que pretende ampliar o “domínio americano no Hemisfério Ocidental”.
Na mesma ocasião, Trump voltou a invocar a Doutrina Monroe, formulada há cerca de 200 anos para justificar a expansão da influência dos Estados Unidos na América Latina, ao afirmar que o “domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado” e também dirigiu ameaças à Colômbia, além de reiterar pressões contra Cuba, México e até voltar a ameaçar a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, cuja anexação se tornou uma obsessão do presidente estadunidense.
Brasil na mira
É nesse contexto que se inscrevem os ataques à Venezuela e o sequestro de seu presidente. O episódio revela uma ofensiva imperialista de caráter neocolonial, que não se limita ao território venezuelano, mas se projeta sobre toda a América Latina, incluindo o Brasil.
Vale recordar que, há poucos meses, o governo Trump impôs ao país uma guerra tarifária, condicionando a revogação das tarifas à anulação de processos judiciais contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na mesma época, houve pressão direta para o acesso às chamadas terras raras, um conjunto de 17 elementos químicos estratégicos para a produção de semicondutores, baterias, painéis solares, turbinas eólicas e equipamentos militares. O Brasil detém a segunda maior reserva mundial desses elementos, além de posição destacada na produção de nióbio e lítio, mas permanece dependente de tecnologia estrangeira para o processamento e a industrialização desses recursos.
Os acontecimentos na Venezuela, as pressões sobre o Brasil e as ameaças a outros países da região não são fatos isolados. Eles integram uma mesma estratégia de reposicionamento geopolítico dos Estados Unidos na América Latina. A recente Estratégia de Segurança Nacional do governo Trump, anunciada em dezembro, explicita o objetivo de garantir governos alinhados a Washington, reafirmando a visão da região como área de influência direta dos EUA; por isso, o próprio Trump a mencionou como uma atualização contemporânea da Doutrina Monroe.
Diante desse cenário, não se trata apenas de solidariedade à Venezuela. Está em jogo a soberania dos países latino-americanos e o risco de naturalização de intervenções militares e políticas em nosso continente. O Brasil deve condenar a ofensiva e exigir o respeito à autodeterminação do povo venezuelano.
Condenar os ataques
É fundamental explicitar a gravidade desses ataques para o conjunto da classe trabalhadora, demonstrando que tais ofensivas comprometem diretamente a soberania nacional, os direitos sociais e as condições de vida dos povos da região. Vale lembrar, inclusive, que a ampla maioria da população brasileira já expressou repúdio à guerra comercial imposta por Donald Trump ao Brasil, evidenciando que não há respaldo popular para políticas de submissão e ingerência externa.
O Sintrajud repudia o ataque à Venezuela e se soma às mobilizações contra essa ofensiva de caráter neocolonial, exigindo o fim das agressões e ameaças aos países da América Latina, em defesa da soberania e do direito dos povos de decidirem seus próprios destinos. Nesse sentido, o Sindicato defende a libertação imediata de Nicolás Maduro e Cilia Flores e convoca à ampliação dos protestos contra essa agressão imperialista, que ameaça toda a região.




