NOTICIAS24/04/2026

Congresso da CSP-Conlutas debateu crise imperialista e reforçou solidariedade internacional

Dirigentes da central sindical têm participado de grupos de ajuda humanitária a povos atacados e representados no congresso da entidade.
Por: Jeferson Choma
Paulo Sam
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A noite do dia 18 de abril de 2026 marcou o início do 6º Congresso da CSP-Conlutas (central à qual o Sintrajud é filiado) com um dos principais debates políticos do 6º Congresso Nacional da CSP-Conlutas. O painel “A luta da classe trabalhadora contra o imperialismo no mundo e a solidariedade entre os povos” encerrou o primeiro dia de atividades, reunindo representantes de diferentes países para discutir a conjuntura internacional e os desafios da classe trabalhadora.

A mesa foi coordenada por Magno de Carvalho, do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) e da executiva nacional da central. Ao longo do painel, os convidados trouxeram análises sobre guerras, crise econômica e resistência dos trabalhadores em diferentes regiões do mundo.

Representando os Estados Unidos, Coco Smith, do Workers' Voice e da Amazon Cause, destacou a crise do imperialismo norte-americano como um dos elementos centrais da política global atual. Segundo ele, ações como o genocídio contra o povo palestino desde 2023 e a guerra contra o Irã refletem tentativas de manter a dominação imperial. 

“Quando um animal está encurralado, ele ataca não por força, mas por falta de alternativa. A classe capitalista dos EUA sente-se impotente diante da sua própria decadência”, afirmou. 

Smith também ressaltou que, apesar das disputas internas, democratas e republicanos permanecem alinhados na defesa do capitalismo e não apresentam alternativas reais à classe trabalhadora. Ao final, citou mobilizações contra políticas anti-imigração como exemplos de resistência e defendeu a construção de uma organização política independente dos trabalhadores.

Na sequência, Lisbeth Moya, do coletivo Socialistas en Lucha, abordou a situação de Cuba, destacando a importância histórica da Revolução Cubana para a América Latina e denunciando o bloqueio imposto pelos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, fez críticas ao modelo interno do país. “O bloqueio norte-americano gerou enormes perdas econômicas. No entanto, não podemos atribuir toda a crise a fatores externos. Há também responsabilidade do modelo interno, altamente centralizado e pouco democrático”, afirmou. 

Moya mencionou ainda os protestos de julho de 2021 e defendeu a democratização do sistema político como saída para a crise. “Defendemos um socialismo democrático, com liberdades públicas e controle popular.”

Leonardo Arantes, do Comitê Nacional de Conflitos dos Trabalhadores da Venezuela, descreveu a realidade de dificuldades enfrentadas pela população venezuelana, marcada por baixos salários, repressão e retirada de direitos. Ele também criticou a relação do país com interesses econômicos internacionais, especialmente ligados ao petróleo, e denunciou perseguições políticas. “Há milhares de presos políticos e perseguição a ativistas sindicais. As massas tinham expectativas de mudança, mas essas ilusões estão se desfazendo diante da realidade”, disse.

Encerrando o painel, Yuri Petrovich Samoilov, do Sindicato Independente dos Mineiros de Kriviy Rih, destacou a história de lutas do povo ucraniano contra processos de dominação e colonização. Ele afirmou que, diante da guerra atual, a população tem se organizado para resistir, mas enfrenta a ausência de uma organização política forte da classe trabalhadora. 

“A luta da Ucrânia não está separada de outras lutas, como a do povo palestino. São lutas por autodeterminação. Liberdade para a Ucrânia, liberdade para a Palestina!”, declarou, sendo aplaudido pelos presentes.

Delegações internacionais ampliam debate

Na manhã do dia 19, novas intervenções internacionais deram continuidade ao debate. O jornalista turco Ari Çerçiyan destacou a crise global do capitalismo, marcada por inflação, austeridade e ataques aos trabalhadores. “Vivemos um momento de crise profunda do capitalismo internacional. Mas sabemos que, onde há exploração, também há resistência”, afirmou, ressaltando a importância da solidariedade entre trabalhadores de diferentes países.

Do Chile, Ramon Mapuche abordou a luta histórica do povo Mapuche por território e autodeterminação, denunciando processos de colonização e defendendo uma perspectiva anticapitalista. “A esquerda também não deve nos colonizar com suas ideologias, mas ser uma ponte para que nós, povos indígenas, reconstruamos nosso mundo”, disse.

Já José Gomes Hata, de Angola, denunciou a existência de presos políticos em seu país e destacou os impactos da crise climática como expressão das contradições do capitalismo. “Isso mostra que não é uma crise ambiental, é uma crise do capitalismo”, afirmou, ao relatar tragédias recentes causadas por enchentes. Ele também chamou atenção para a desigualdade global nas emissões de carbono, ressaltando que países africanos estão entre os mais afetados, apesar de contribuírem minimamente para o problema.

A agenda internacional foi concluída no dia 22, com a realização do Seminário Sindical Anti-Imperialista. O evento reuniu delegações estrangeiras e representantes brasileiros com o objetivo de fortalecer o intercâmbio entre trabalhadores de países centrais e periféricos e avançar na construção de estratégias comuns frente à precarização do trabalho e à retirada de direitos.