NOTICIAS10/07/2025

Majoritária da Fenajufe/CUT não sabe negociar

Por: Luciana Araujo

Categoria acumula 28,56% de perdas, maioria da Federação/CUT pede 5% no VB+GAJ de 165% e CNJ apresenta 8% por inépcia da direção.
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Momento da deliberação unânime do indicativo de greve pelo PCCS, no 12º Congrejufe (Foto: Joca Duarte).

Como se faz uma negociação?

O be-a-bá de qualquer negociação sindical é não aceitar gestores ou patrões decidirem se propostas de uma categoria são ou não justas. Aceitar votação no espaço com maioria da administração foi armadilha da magistratura e tática da CUT para legitimar proposta da cúpula do PJU contra a sobreposição de tabelas e valorização da carreira, enquanto trabalham pela desmobilização da categoria.Há uma regra básica no sindicalismo comprometido apenas com as categorias: a independência de patrões/administrações. A atual direção majoritária da Fenajufe, ligada à CUT, no entanto, vem transformando a nossa entidade, que desde 1992 foi uma ferramenta de luta em defesa dos trabalhadores e trabalhadoras do Judiciário Federal, em uma correia de transmissão do governo e das administrações.Essa é a causa de não termos reajustes e da defasagem da nossa carreira há 10 anos. Ao longo de toda a última década, a maioria da Fenajufe não organizou a categoria para lutar e baixou a cabeça aos governos Temer, Bolsonaro e agora também diante do governo Lula.

Para quê tem servido o Fórum de Carreira

Por isso também, desde dezembro de 2023, quando foi protocolado o anteprojeto de reestruturação da carreira construído pela categoria, a majoritária na Federação/CUT aceita “ser enrolada” no Fórum de Carreiras do Conselho Nacional de Justiça.Na verdade, essa enrolação toda foi um grande pacto para engavetar o PCCS e aprovar uma proposta rebaixada como nunca na história da nossa organização sindical.Nunca a Fenajufe encaminhou uma proposta tão rebaixada porque é notório que:1) historicamente as administrações puxam para baixo o que reivindicamos2) quando os projetos de lei de salários no PJU chegam no Congresso Nacional sempre há um parcelamento, que mais uma vez reduz a conquista porque a inflação segue crescendo enquanto são pagas as parcelas anuais.As fake news sobre a proposta que negociaram no Fórum sem discutir com a categoria buscam:1) desviar a atenção do vergonhoso acordo com o sindicato de Brasília e o CNJ para iniciar a negociação pedindo 5% de aumento no vencimento básico e da GAJ para 165% do VB, quando a categoria perdeu 28,56% desde 2019;2) desmontar a greve indicada para o dia 06 de agosto, para não pressionar de verdade a cúpula do PJU.Isso tem nome: traição!

Quem é Guilherme Feliciano?

O coordenador do Fórum do CNJ, Guilherme Feliciano, nunca esteve ao nosso lado. É um juiz, foi presidente e vice-presidente da Anamatra (associação nacional dos magistrados trabalhistas). É um representante da magistratura que está abocanhando o orçamento do Judiciário com penduricalhos e retirada de direitos.É vergonhoso que o grupo majoritário na direção da Fenajufe tente ludibriar a categoria dizendo que este senhor votaria com a categoria. Feliciano passou um ano e meio enrolando os trabalhadores e trabalhadoras do Judiciário enquanto a magistratura aprovava penduricalhos que pagariam dois ou três PCCS.

Negociação tem que ser no STF

É hora da categoria retomar as rédeas de sua organização e construir uma forte greve a partir de 06 de agosto e garantir a negociação direta com o STF para conquistar o envio do PL de reestruturação da carreira e reposição salarial com sobreposição das tabelas.Foi a nossa luta que destravou o envio do PL do adicional de qualificação (AQ). E será necessário lutar e cumprir a decisão da categoria na última assembleia, de construir uma greve para forçar a aprovação do AQ no Congresso Nacional e a sanção pelo presidente da República. É essa pressão que a CUT não quer fazer.