Com reajuste no orçamento e futuro do veto ainda indefinido, dia de luta tem defesa da construção da greve
Não houve sessão no primeiro período de esforço concentrado do Congresso; Inclusão da previsão do reajuste de 2027 pelo STF é avanço importante, mas veto e disputa orçamentária mantêm ameaça de congelamento salarial.
Por: Hélcio Duarte Filho

O primeiro esforço concentrado prometido pelo presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), não teve esforço algum dos parlamentares que controlam o Legislativo, e tampouco sessão do Congresso Nacional.
Com isso, os vetos do presidente Lula que barraram as parcelas dos reajustes salariais dos servidores e servidoras do Poder Judiciário Federal e do MPU previstas para 2027 e 2028 seguem sem previsão de quando serão apreciados. Consequentemente, a ameaça de ‘congelamento salarial’ não se desfez.
Nas paralisações e manifestações da quinta-feira, dia 13 de agosto de 2026, denunciou-se que esse quadro de indefinição expressa as prioridades orçamentárias defendidas pelo governo federal, aprovadas pelo Congresso Nacional e avalizadas pela cúpula do Poder Judiciário.
A servidora Camila Oliveira, dirigente do Sintrajud, disse, no ato nacional híbrido, que é preciso dar um passo adiante nas mobilizações para reverter esse quadro: “A gente precisa conversar com os colegas e chamar a responsabilidade dos dirigentes sindicais para construir a greve, para ter nossas pautas ouvidas de fato pela magistratura”, propôs, ao criticar os três anos de enrolação do Fórum de Carreira do CNJ. “Não fazer greve tem tido muitas consequências”, observou, falando do ato realizado em frente à sede do TRT-2, na capital paulista.
Consequências também observadas pelo servidor David Landau, ex-dirigente do Sitraemg, ao falar no ato em frente ao STF. “Isso não é uma insatisfação de dirigentes sindicais, é de cada servidor e servidora na base da categoria”, disse, ao relatar os privilégios da magistratura e o desrespeito às demandas do setor. “É com luta e com greve que a gente vai ter [nossas pautas] atendidas”, afirmou.
Orçamento
Por um lado, segue paralisada e indefinida a apreciação do veto, com Alcolumbre agora declarando que o segundo momento do esforço concentrado do final de agosto e início de setembro será presencial. Por outro, no aspecto orçamentário, houve uma movimentação importante para os servidores por parte dos tribunais superiores: a inclusão na previsão orçamentária para 2027 dos recursos necessários para pagar os 8% da segunda parcela do reajuste.
É uma sinalização de forte significado por parte do Conselho Nacional de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, ocorrida faz poucos dias, já sob as movimentações que preparavam os protestos e cobranças das entidades sindicais e da categoria desta semana.
Porém ainda longe de assegurar o restabelecimento da parcela de reajuste, que depende fundamentalmente da derrubada do Veto 45. Há ainda uma possível armadilha aí: caso o veto não seja derrubado, tais recursos podem ser remanejados para outros fins. Fica evidente o que isso pode significar em meio à disputa orçamentária em tempos de ‘ajuste fiscal’ e dos ‘penduricalhos’ que seguem engordando os contracheques da magistratura.
“Não temos como deixar de fazer essa luta sem enfrentar a disputa orçamentária e o ‘Arcabouço Fiscal’", disse o servidor Jaílson Lage, durante a manifestação da categoria em Salvador.
Dirigente eleito para a próxima gestão do Sintrajud e integrante da coordenação da CSP-Conlutas, Fabiano dos Santos também ressalta que é a mobilização e o envolvimento da categoria nessa luta que podem afastar a ameaça real de congelamento salarial no ano que vem.
“Nossa categoria para conseguir um avanço precisa se enfrentar com os Três Poderes e isso não é pouca coisa. Esse dia de mobilizações nacionais foi muito importante, mas precisamos de uma mobilização por tempo indeterminado para que a gente consiga derrubar o veto, voltar a ter condições dignas de trabalho e ter a nossa carreira de novo no mapa das carreiras valorizadas”, defendeu, ao final do ato híbrido nacional.
Mande sua mensagem contra o veto
O Sindicato também ressalta a importância da participação da categoria na campanha contra o veto, orientando que todos os servidores e servidoras enviem mensagens aos parlamentares (clique aqui).




