Pela redução da jornada e fim da escala 6x1, Brasil terá atos em SP e mais cidades
Manifestações nesta terça (30) pressionam presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a destravar PEC 221, que reduz jornada semanal, e abandonar projeto da extrema direita que pode acabar com direitos trabalhistas.
Por: Hélcio Duarte Filho

A campanha pela redução da jornada de trabalho, sem reduzir salários e direitos, e pelo fim da escala 6x1 terá uma série de manifestações nesta terça-feira, dia 30 de junho de 2026, em todas as regiões do país. Os protestos vão exigir que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, acelere a apreciação da proposta de emenda constitucional aprovada na Câmara que prevê o fim do regime de trabalho que assegura ao/à trabalhador/a
6x1 e estabelece a escala de cinco dias de trabalho para dois de folga por semana (PEC 221).
Ocorrem na véspera de uma reunião de parlamentares favoráveis à proposta e dirigentes sindicais com Alcolumbre, na qual devem tentar forçá-lo a destravá-la, e de uma sessão não deliberativa que debaterá o tema.
Na manhã da segunda (29), já estavam confirmados atos em pelo menos 14 capitais e no Distrito Federal. Em São Paulo, a manifestação terá concentração a partir das 18 horas, no Masp, na Avenida Paulista.
O dia nacional de mobilização pelo fim da escala 6x1 foi marcado pelo movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e está sendo convocado por dezenas de organizações políticas, sindicais e dos movimentos sociais.
O Sintrajud e a CSP-Conlutas participam dessa luta. “Vamos às ruas para denunciar a demora do Senado em votar a PEC que prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada e a tentativa do presidente da Casa Davi Alcolumbre de aprovar a chamada PEC das Horas Trabalhadas, que atende aos interesses do empresariado”, diz trecho da convocação divulgada pela CSP-Conlutas, que realizou plenária virtual no dia 25 de junho para tratar da articulação das atividades.
O Sintrajud participou da plenária, que reafirmou a defesa do fim imediato da escala 6x1 com redução da jornada para 40h semanais, sem retirada de direitos e “rumo às 36h semanais".
PEC paralisada
A campanha pelo fim da jornada que impõe seis dias de trabalho semanais e apenas uma folga ganhou amplo apoio entre a população, com pesquisas indicando mais de 75% de aprovação à redução da jornada.
No entanto, um mês após a proposta de emenda constitucional passar pela Câmara e chegar ao Senado, Alcolumbre, sob suspeita de envolvimento com o escândalo do Banco Master, relação que nega existir, nem sequer despachou a matéria para que a tramitação tenha início na Comissão de Constituição e Justiça.
Procedimento indispensável para que a proposição tramite, a movimentação do presidente do Senado contrasta com a votação expressiva e ampla que a proposta obteve na Câmara dos Deputados, sob a pressão da opinião pública: no segundo turno, foram 461 votos a 19; no primeiro, 472 a 22.
A morosidade também contrasta com o tratamento dado à PEC 12/2026, do senador Rogério Marinho (PL-RN) e apoiada pela extrema direita e ricos empresários. A proposta se contrapõe ao fim da escala 6x1 sem redução de salários ao fixar o modelo de contratação por hora e flexibilizar a jornada de trabalho. Alcolumbre a remeteu à CCJ no mesmo dia em que foi protocolada na mesa diretora do Senado.
É contra essa ameaça de retrocesso e para que a PEC do fim da escala 6x1 avance o mais célere possível — apesar da morosidade inicial, se houver acordo político a PEC pode ser votada muito rapidamente — que as manifestações desta terça-feira (30) estão sendo chamadas.




