NOTICIAS05/06/2026

Debate sobre opressões na 25ª Plenária aborda desafios para o sindicalismo

Garantia dos direitos de mulheres, população negra, LGBTs e pessoas com deficiência foi pautada como tarefa estrutural das entidades sindicais.
Por: Luciana Araujo
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O primeiro dia da 25ª Plenária da Fenajufe começou com uma bela apresentação do Filhas de Gandhy (o mais antigo afoxé feminino do Brasil), passou por um longo debate sobre o regimento interno e foi encerrado com um ponto de virada no enfrentamento às opressões.

Embora tenha iniciado às 22 horas, o debate “Opressões e Avaliação de Políticas de Equidade, Inclusão e Interseccionalidade como Eixos Estruturantes da Luta Sindical” aconteceu com boa participação do plenário. Em outros momentos, mesas que discutem as questões das mulheres, da população negra, LGBTQIAPN+ e com deficiência costumava ter no público apenas as pessoas diretamente interessadas em razão de suas condições de vida.

As palestrantes foram a diretora do Sintrajufe/PI Madalena Nunes, integrante do Coletivo LutaFenajufe; Sara Wagner York, primeira mulher trans a atuar como âncora no jornalismo brasileiro; Jandyra Uehara, secretária Nacional de Políticas Sociais e Direitos Humanos da CUT Nacional; e a psicóloga Jeniffer Farias de Souza, doutoranda em saúde coletiva. Integrou a coordenação da mesa a servidora do JEF/Capital São Paulo e ex-diretora do Sintrajud Maria Ires Graciano Lacerda, coordenadora de Saúde e Qualidade de Vida no Trabalho na Federação.

O debate abordou temas espinhosos como:

- a necessidade de cobrar do Estado brasileiro políticas para reverter o aumento da exploração do tempo de vida das mulheres, considerando a jornada de trabalho formal, trabalho doméstico e de cuidado e a intensificação das tarefas e permanente ampliação das metas exigidas;

- a necessidade de controle social e regulamentação das big techs, que passaram a lucrar com a misoginia digital;

- a luta pela garantia de direitos plenos à população LGBTQIAPN+ e com deficiência;

- o dever do movimento sindical enfrentar no cotidiano o racismo – incluindo o debate sobre o bloqueio informal do acesso a chefias, funções e crescimento nas carreiras para servidores e servidoras negros no Judiciário Federal –, o capacitismo e o etarismo, assegurando aos corpos dissidentes que provocam as mudanças o pleno direito ao exercício da atividade sindical;

- a luta pelo reconhecimento do trabalho de cuidado e de respostas do Estado às tarefas de reprodução da vida que são jogadas sobre os ombros das mulheres, principalmente as negras;

- a urgência de políticas efetivas de enfrentamento à violência misógina que cresce nas redes sociais, mas também na vida real, com recordes de estupros, estupros coletivos e feminicídios.

A Plenária Nacional da categoria acontece no Hotel da Bahia by Wish, em Salvador, com início nesta quinta-feira (04 de junho de 2026), e vai até domingo. O debate sobre as opressões foi encerrado às 00h26, ainda com ampla participação - uma vitória de mulheres, pessoas negras, com deficiência e LGBTQIAPN+.

Assista abaixo à íntegra do painel: