Sintrajud estará na 30ª Parada LGBT neste dia 07 de junho
Maior manifestação periódica no mundo prevê reunir mais de dois milhões de pessoas, mesmo com redução de financiamentos e ataques da extrema direita, a partir das 10 horas.
Por: Luciana Araujo

O Coletivo LGBTQIAPN+ do Sintrajud convida toda a categoria a participar da 30ª Parada do Orgulho, que terá o tradicional início na Avenida Paulista e caminhada até a Praça Roosevelt neste domingo (07 de junho de 2026). O Sindicato fará uma oficina de confecção de cartazes para mobilização e organização da categoria durante a concentração, em frente ao Fórum Pedro Lessa da Justiça Federal (Avenida Paulista, 1682), a partir das 9 horas. Também serão disponibilizados leques, bandeiras, adesivos e muita animação politizada - corroborando um antigo slogan das Paradas: "fervo também é luta!".
Neste ano, o lema do ato é "Parada SP 30 anos: a rua convoca, a urna confirma". E o protesto vai acontecer mesmo sob ataque de vereadores/as de extrema direita que aprovaram na Câmara Municipal, em primeiro turno de votação, proibir a participação de crianças e adolescentes na manifestação, intervindo diretamente sobre o Direito de Família, de forma inconstitucional.
O projeto de lei que pretendia censurar a Parada ainda tem que ser submetido a um segundo turno de votação entre os/as vereadores/as, o que acabou sendo adiado em função do repúdio social à primeira votação.
A perda de alguns apoios financeiros motivou as instituições que organizam a Parada a lembrarem que a manifestação – que hoje movimenta cerca de R$ 500 milhões, gera uma arrecadação de cerca de R$ 90 milhões em impostos, e contará em 2026 com a participação de mais de 150 artistas – começou com um pequeno grupo na Praça Roosevelt, em 1996, e sem quase nenhuma solidariedade financeira.
Três décadas de resistência
Embora seja vista por muitas pessoas como uma festa (o que também é), a Parada de São Paulo é expressão de uma mobilização que cresceu exponencialmente nessas três décadas. E forçou conquistas que vão desde a ocupação do espaço público por gestos de homoafetividade, passando pelo reconhecimento da união civil e do casamento LGBT, a criminalização da homolesbotransfobia e as cotas para população transexual em universidades como a Unicamp. Além de ter possibilitado a eleição de representantes cisgêneros (que se identificam com o sexo designado ao nascer), trans e travestis em parlamentos municipais, estaduais e federal.
Pessoas que evidenciaram como o que já foi apontado como um movimento "identitário" é, na verdade, expressão de uma luta contra as opressões de gênero e raça que são usadas pelo capitalismo para comprimir salários e superexplorar setores da classe.
A expressão máxima desse movimento na atualidade é a luta pelo fim da escala 6x1, que teve à frente um vereador negro e gay do Rio de Janeiro e uma deputada federal trans negra eleita por São Paulo - Rick Azevedo e Erika Hilton, ambos filiados ao PSOL -, resgatando uma bandeira histórica do movimento sindical: a redução da jornada sem redução de salários. E, segundo pesquisa Datafolha recente, 71% da população defendem o fim do regime de trabalho que impõe à classe trabalhadora apenas um dia de folga.
Mas não tão longe na historiografia, no início dos anos 2000, eram corriqueiras as reportagens sobre assassinatos de LGBTs na região do Largo do Arouche, na capital paulista; agressões a pessoas do mesmo gênero que manifestavam carinho nas ruas; e o tratamento social à homossexualidade como tabu.




