Não conseguimos mais escutar os noticiários: luta contra assédios e feminicídios é destacada no 1º dia do Congresso
Tema permeou vários discursos na abertura do 10º Congresso do Sintrajud e está pautado para os trabalhos que prosseguem até domingo (15).
Por: Hélcio Duarte Filho

Os números que põem o Brasil na quinta posição mundial entre os países recordistas em feminicídios foram mencionados na abertura do 10º Congresso do Sintrajud.
O momento que o país vive fez a servidora Ester Nogueira afirmar: “Numa época em que nós mulheres estamos sob ataques constantes, tem sido muito difícil escutar o noticiário, tudo que vem acontecendo contra as mulheres". Disse que é um quadro muito grave e que é preciso refletir sobre isso.
“Levar [essa discussão] para os nossos filhos e saber dos nossos lugares: as mulheres não podem abrir mão das conquistas, têm que respeitar e nós contamos com os nossos companheiros para essa luta ir adiante”, observou a servidora, que falou representando a Assojaf-SP, associação de Oficiais de Justiça no Estado de São Paulo.
Representante da CSP-Conlutas, a Central Sindical e Popular à qual o Sintrajud é filiado, Cleber Rabelo disse que a entidade está organizando uma forte campanha contra o feminicídio, contra o grupo internacional misógino denominado ‘red pill’, que prega que as mulheres têm papéis distintos e hierárquicos distintos na sociedade. “Queremos fazer uma forte campanha contra o feminicídio", pontuou.
A servidora Camila Oliveira, que integra a diretoria do Sintrajud, reforçou a preocupação com esta pauta, que já vem sendo abraçada pelo Sindicato e pelo Coletivo de Mulheres Mara Helena dos Reis. Falando como representante da Unidade Popular (UP), Camila mencionou o trabalho militante que a organização partidária a qual pertence vem fazendo em ocupações lideradas por mulheres.
A professora Flavia Bischain Rosa, representante do PSTU, também assinalou que o que está ocorrendo é inaceitável, bárbaro e precisa ser banido. “O feminicídio foi comentado aqui, são quatro mulheres mortas todos os dias no Brasil. Uma situação completamente absurda, a que a classe está submetida, com requintes de crueldade. As notícias na TV nos últimos dias realmente são de embrulhar o estômago”, disse. “A gente não pode ser indiferente a essa situação", afirmou.
A luta contra os assédios, as opressões e o feminicídio está pautada no 10º Congresso do Sintrajud e integra os debates que estão ocorrendo em Bragança Paulista (SP) até o próximo domingo, dia 15 de março de 2026.




