O sorriso e gentileza de Luzia Melchiades seguirão vivos em cada memória de luta
Servidora do JEF/Capital e ex-diretora de base e conselheira fiscal do Sintrajud participou de todas as mobilizações desde que ingressou no PJU, sempre com um riso acolhedor a oferecer aos colegas que dedicam suas vidas a garantir os direitos da categoria.
Por: Luciana Araujo

Luzia ao microfone na greve pelo PCS-2, em 2006, durante ato em frente ao Tribunal Regional Eleitoral.
O dia triste e chuvoso desta segunda-feira (09 de fevereiro) parecia saber que uma das grandes partiria na noite dessa data. Durante procedimento para colocação de um marca-passo, a servidora Luzia de Fátima Melchiades Souza faleceu, aos 65 anos, completados em 13 de dezembro. A informação chegou ao Sintrajud pelas mãos da sobrinha e também colega de categoria Beatriz Melquiades. "Ela sempre foi guerreira, com uma energia de alegria que contagiava a todos ao seu redor. Lutava pelo que acreditava, sempre alegre, unindo a família e amigos. Mas ontem, infelizmente, o coração não aguentou. Ela foi brilhar lá no céu", relatou Beatriz.
Servidora do JEF/Capital, ex-conselheira fiscal do Sindicato entre 2008 e 2011 e diretora de base entre 2006 a 2009, Luzia esteve presente em todas as mobilizações da categoria desde que ingressou no Judiciário Federal, em 2005. Sempre sorridente e acolhedora com os colegas de trabalho e funcionários da entidade, mesmo quando as lutas marcavam nos rostos dos grevistas a indignação com as injustiças - ela nunca estendeu a raiva que a movia na luta a nenhuma pessoa que estivesse a seu lado numa assembleia ou ato.
A diretora do Sindicato Ana Luiza Figueiredo, aposentada do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, lembra de Luzia como "uma pessoa maravilhosa, comprometida e dedicada como servidora do Judiciário e, ao mesmo tempo, presente em todas as nossas lutas por direitos. Sentiremos sempre falta da nossa querida colega".
Ex-dirigente e atualmente na diretoria de base representando os colegas do mesmo JEF onde Luzia trabalhava, Maria Ires Graciano Lacerda estava inconsolável no velório, mas fez questão de manifestar-se nesta última homenagem. "Luiza era uma mulher muito amiga, companheira, humana. Desde quando a conheci, sempre acompanhei que dava o melhor de si para ajudar alguém. Era também muito preocupada com o jurisdicionado, pois o setor onde trabalhava atendia o público mais carente do Juizado. E na militância sindical foi sempre uma grande guerreira, inquieta com questões de retirada diretos da categoria, e uma grande defensora da classe trabalhadora. Deixou um grande vazio para todos aqueles que conviveram com ela, uma grande perda", afirmou.
Uma força gentil
No grupo do local de trabalho, no dia de hoje circularam exclusivamente mensagens de condolências à família, que também reúne três colegas de categoria: o diretor do Sindicato Antônio Melquiades (o Melqui, seu irmão e servidor hoje lotado no Administrativo Presidente Wilson da Justiça Federal); o irmão André, que trabalha no setor de Informática do TRF-3; e a sobrinha Beatriz Melquiades, servidora da Justiça Federal e atual integrante do conselho fiscal.
A dor coletiva era sensível entre os que trabalharam com Luzia.
"Meus sentimentos a toda a família. Triste com sua partida. Feliz por tê-la conhecido e compartilhado de sua força, carinho e alegria", disse a colega no JEF Elaine Oliveira da Mata.
Aline Koroglouyan, também lotada no mesmo prédio que Luzia, ressaltou que a colega "deixará muitas saudades. Sempre vou carregar comigo o riso fácil e sua gentileza marcante. Ela era muito enorme em gentileza, empatia e em tratar a todos com muito afeto", disse
A mensagem dos filhos, Ederson e Bruno, ressalta que "sua partida deixa saudade, mas também a lembrança de todo amor, dedicação e força que sempre compartilhou conosco." Luzia deixa também o esposo, Darcy, noras e dois netos.
E gentileza e força eram mesmo características lembradas por todos que construíram junto com Luzia o padrão salarial e de carreira que os servidores e servidoras do Judiciário Federal conquistaram com muitas greves.
Cláudio Klein, servidor do TRF-3 e ex-diretor lembra que "Luzia era uma pessoa que tinha muita clareza das coisas. Sabia exatamente seu lugar, seus direitos e suas obrigações. Ela nunca duvidou que somente com unidade dos servidores a gente pode conseguir aumentos e preservar direitos. Algo que hoje parece esquecido. Luzia Melchíades não falava muito em microfones, como seu irmão Melqui. Mas estava sempre na porta do prédio, nos piquetes chuvosos e friorentos dos anos 2000. Ela ajudou muito a termos salários nos patamares que temos hoje. Era uma pessoa muito gentil e atenciosa. Insubstituível. Vai estar sempre presente."
"Um ser humano amoroso, iluminada e de fácil trato com todos. Lutadora sempre presente e ajudando em todas nossas lutas. Irmã de nosso querido Melqui. Grande honra em conhecer e lutar ao seu lado. Que ela siga em paz e na luz. Sempre presente em nossos corações", manifestou-se o servidor da Justiça Federal em Santos e fundador do Sintrajud Adilson Rodrigues.
Luzia, presente!
O sepultamento aconteceu na tarde desta terça-feira, 10, na cidade de Embu das Artes.
Esta singela última homenagem visa colaborar no esforço de trazer algum consolo aos familiares e amigos, especialmente ao querido Melqui, a Beatriz e André. Mas, principalmente, registrar para a posteridade que a passagem de Luzia não foi em vão, que ela foi daquelas pessoas imprescindíveis, que fazem a roda da História girar mesmo sem holofotes. Máximo respeito da diretoria e funcionários do Sindicato e condolências nesse momento difícil. Que fique registrado que Luzia se foi, mas seu sorriso, sua gentileza e sua luta ficarão para sempre presentes em nossos corações.

Ao centro, de sueter bege e calça jeans, durante mobilização de greve em frente ao TRF-3.




