Assembleia elege delegação ao 6º Congresso da CSP-Conlutas e debate desafios da classe trabalhadora
Servidores e servidoras do Judiciário Federal em São Paulo participaram, no dia 25 de fevereiro, de assembleia estadual convocada pelo Sintrajud para eleger a delegação que representará a categoria no 6º Congresso da CSP-Conlutas. A atividade ocorreu de forma on-line, a partir das 19h30, com o objetivo de ampliar a participação de trabalhadores e t
Por: Jeferson Choma

O congresso da central sindical será realizado entre 18 de março e 2 de abril de 2026, com o lema “Independência de classe, luta e internacionalismo: construindo uma alternativa operária e popular!”. O encontro reunirá delegados de diversas categorias e movimentos sociais para definir a agenda política da central para os próximos três anos e eleger a Secretaria Executiva Nacional da entidade.
Durante a assembleia, os participantes destacaram a importância do Congresso em um momento marcado por conflitos internacionais, guerras, ataques a direitos sociais, crise ambiental e agravamento das desigualdades. Na avaliação apresentada no debate, o encontro ocorre em um cenário de pressão por reformas que afetam diretamente a classe trabalhadora, como propostas de mudanças no serviço público e novos ataques às políticas sociais.
Também foi ressaltada a importância de fortalecer a solidariedade às lutas dos povos originários que enfrentam a expansão do agronegócio sobre seus territórios. Foi lembrada a resistência dos povos indígenas da região do rio Tapajós, que ocuparam por 33 dias o terminal portuário da Cargill, em Santarém, pressionando o governo a recuar do Decreto 12.600, que abriria caminho para transformar rios amazônicos em corredores de escoamento de grãos.
Na assembleia também houve críticas às políticas do governo federal, com menção ao arcabouço fiscal e a medidas apontadas como restritivas aos investimentos sociais e aos serviços públicos. Para os participantes, esse cenário reforça a necessidade de fortalecer a independência de classe e ampliar a mobilização dos trabalhadores em defesa de direitos.
Defesa de teses
Outro ponto importante da assembleia foi a apresentação das três teses políticas que serão debatidas no Congresso. Cada uma delas apresenta análises sobre a conjuntura e propostas de orientação para a atuação da central sindical no próximo período.
A primeira tese foi apresentada por Ana Luiza de Figueiredo Gomes, diretora do Sintrajud. Segundo a dirigente, os direitos dos servidores públicos estão gravemente ameaçados. “Essa política de retirada de direitos e de precarização do serviço público faz parte de uma orientação desse governo. Há 23 anos, quando tomou posse o primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, foi aprovada uma reforma da Previdência que retirou direitos históricos, como a integralidade e a paridade, além de impor o confisco sobre os salários dos aposentados do serviço público, que passaram a contribuir novamente mesmo após já estarem aposentados.”
Ana Luiza também lembrou que essa política neoliberal é parte de um cenário mais geral, que responde à crise mundial do capitalismo: “Do ponto de vista internacional, vemos que essa política também se repete. Hoje há uma situação nos Estados Unidos em que Donald Trump, a face mais agressiva do capitalismo e do imperialismo, promoveu a demissão de milhares de servidores públicos. Ou seja, o ataque ao serviço público não é algo isolado, mas parte de uma política mais ampla do capitalismo e do imperialismo”, explicou.
A segunda tese foi defendida por Maria Angélica Olivieri, servidora aposentada da Justiça Federal. Segundo a servidora, o sistema capitalista passa por uma das suas mais graves crises, que ameaça não apenas a classe trabalhadora, mas a própria sobrevivência da humanidade.
“Essa crise se expressa também na grave emergência ambiental que atinge o planeta. Ao mesmo tempo, vemos milhões de pessoas sendo obrigadas a migrar para fugir de guerras e conflitos. O número de deslocados no mundo já supera o registrado durante a Segunda Guerra Mundial. Vivemos um período marcado por guerras e instabilidade internacional, como o conflito entre Rússia e Ucrânia, o genocídio imposto ao povo palestino pelo Estado de Israel e diversos conflitos no continente africano, em países como Sudão, Congo e Somália, que já provocaram milhões de mortes”, explicou.
Angélica lembrou que uma parcela ínfima da humanidade concentra quase metade da riqueza mundial. Ao mesmo tempo, assistimos a uma contraofensiva do imperialismo, marcada por um movimento recolonizador em meio a uma crise profunda do próprio sistema, com sinais de declínio político e econômico. “Apesar disso, vemos também o crescimento de mobilizações importantes da juventude em diversas partes do mundo, como no Nepal, Madagascar, Marrocos e Quênia. Atualmente, também acompanhamos novas lutas protagonizadas por estudantes universitários, que indicam a retomada da mobilização em vários países”, concluiu.
Já a terceira tese foi apresentada por José Dalmo Vieira Duarte, servidor do Judiciário. Em sua apresentação, ele colocou a necessidade de enfrentar o governo e a extrema direita: “A questão central é: como enfrentar o governo Lula e, ao mesmo tempo, enfrentar a extrema direita? Entendemos que o caminho passa pela organização, pela mobilização e pela independência de classe. A própria luta dos povos indígenas do Alto Tapajós demonstra que somente a mobilização direta pode impor derrotas a projetos que atacam direitos. Do ponto de vista do conteúdo político, é decisivo ter clareza de que precisamos enfrentar o governo Lula sem capitular à extrema direita e enfrentar a extrema direita sem cair no conto da chamada frente ampla.
O que defendemos é a construção de um terceiro campo: o campo da mobilização da classe trabalhadora, com seus próprios organismos de luta e com o fortalecimento de um polo independente que organize e impulsione as lutas sociais”, destacou.
Nesse contexto, o Congresso foi apontado como um espaço estratégico para articular respostas da classe trabalhadora e fortalecer a organização sindical. Entre os temas que estarão em debate no encontro nacional estão os impactos da conjuntura política e econômica na vida da classe trabalhadora, a situação das categorias que integram a central, as campanhas em defesa dos serviços públicos, a luta contra a reforma administrativa e a campanha pelo fim da jornada de trabalho 6x1. Também será realizado um balanço da atuação da central nos últimos anos e discutidas propostas de alterações estatutárias.
Chapa única
Ao final da assembleia, foi eleita a delegação em chapa única que representará os servidores do Judiciário Federal no congresso da central sindical. Ao todo foram eleitos 11 delegados, além de observadores e suplentes. A expectativa é que o encontro contribua para fortalecer a organização da classe trabalhadora diante de um cenário de crise econômica e intensificação das disputas sociais.
O 6º Congresso da CSP-Conlutas também terá um significado simbólico: o evento marca os 20 anos de fundação da central e será realizado no Clube Guapira, na cidade de São Paulo, reunindo delegações de todo o país para debater os rumos da luta sindical e popular no próximo período.
Confira quem são os delegados, suplentes e observadores
Delegados(as): Fabiano dos Santos, José Carlo Sanches, Ana Luiza Figueiredo, José Dalmo Vieira Duarte, Maria Angélica Olivieri, Ronald de Carvalho Fumagali, Maurício Rezzani, Cléber Borges de Aguiar, Luciana Martins Carneiro, Fernanda Marques Rosa e Wanderlei Pedro de Oliveira.
Observadores/suplentes: Maria Ires Graciano Lacerda, Ciro Manzano de Oliveira, Ismael da Silva de Souza, Reginaldo Reynolds, Antonia Candida da Silva, Andréa Maria Carvalho Moraes, Paulo H. Calixto Misawa, Maria Francisca Lopes Rueda, Henrique Sales Costa, Christine Monique Richmond, Lucia Maria Souza de Andrade e João Carvalho da Silva.




