TRE-SP: Projeto de terceirização mostra catástrofe com chefes de cartório pagando limpeza
Por: Luciana Araujo

Há anos o Sintrajud tem ressaltado os problemas da terceirização para a administração pública e para os trabalhadores. Burla de contratos e atrasos de pagamento de salários são práticas comuns de empresas contratadas por órgãos do Estado. Também são cada vez mais recorrentes denúncias de crimes, como se verificou no Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (leia aqui). Mas na semana passada, a administração do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo passou de todos os limites da confusão entre público e privado.Após anunciar em webinário realizado em dezembro de 2024 que servidores/as requisitados/as não seriam substituídos/as por contratos de terceirização, a administração do Regional solicitou, naquele mesmo mês, suplementação orçamentária no valor de R$ 5.721.466,00, "com vistas à contratação de mão de obra terceirizada para os cartórios eleitorais do Estado de São Paulo, em razão do iminente retorno de parcela expressiva das servidoras e servidores requisitados aos órgãos de origem até o final de 2025".A informação consta de despacho interno datado do último dia 26 de maio, ao qual o Sindicato teve acesso. Nele, a gestão admite ainda que houve redução do quantitativo de servidoras e servidores requisitados na Justiça Eleitoral paulista - 20,57% desde 2014 -; que 56 zonas eleitorais perderão toda a sua força de trabalho requisitada e 112 ficarão com apenas uma pessoa requisitada e que, a partir de julho deste ano. E, ainda, que "42% dos cartórios eleitorais ficarão em situação crítica", diz o documento.O Tribunal Superior Eleitoral respondeu "que o assunto continuava em estudo por suas unidades técnicas" e que "o pedido de recursos orçamentários adicionais não foi apresentado pelo TRESP quando da elaboração da Proposta Orçamentária de 2025".
Conta da terceirização para os/as servidores/as
Para piorar a situação, o Tribunal acabou por dar um atestado dos problemas que a terceirização de atividades cartorárias pode colocar para a próxima eleição, em 2026. Em 30 de maio, o contrato com a empresa Limpatec foi encerrado abruptamente, sem planejamento de substituição na prestação dos serviços — da mesma forma que quer fazer com servidores/as requisitados/as e deixando 102 cartórios eleitorais no estado desprovidos das funções de limpeza.O TRE-SP, então, divulgou um comunicado determinando que "Os(as) Chefes-Gestores(as) dos cartórios eleitorais afetados deverão consultar o proc.-e 0018458-21.2025.6.26.8000, doc. 6608202, para tomar ciência sobre a possibilidade de contratação direta de auxiliar de limpeza (na modalidade de diarista), em caráter emergencial e provisório, até a conclusão da nova licitação, prevista para agosto/2025."Ou seja, de junho a agosto, pelo menos, servidores/as que chefiam os cartórios afetados terão que tirar do próprio bolso o pagamento, limitado a R$ 150,00 (cento e cinquenta reais), e aguardar o reembolso dessa despesa.




