Sintrajud na luta pela vida das mulheres contra os feminicídios e outras violências
Representantes do Coletivo Mara Helena dos Reis, da diretoria e servidoras e servidores da base da categoria participaram da manifestação na Avenida Paulista neste domingo.
Por: Luciana Araujo


Algumas das servidoras e alguns dos servidores do Judiciário Federal em São Paulo presentes ao ato deste domingo, na tenda do Sindicato, em frente ao Fórum Pedro Lessa (Arquivo Sintrajud).
Mesmo sob uma tempestade na capital paulista, milhares de mulheres e homens participaram do ato convocado para este domingo (08 de março), que marcou o Dia Internacional de Luta das Mulheres neste ano. Entre elas e eles, servidoras e servidores do Judiciário Federal e a coordenação do Coletivo Sindical que recebeu o nome da ex-diretora de base vítima de feminicídio numa noite de Natal. Mara Helena dos Reis era ativa participante do Sintrajud e das greves da categoria. O grito no domingo foi também por ela, além das 1.568 vítimas de assassinatos pelo simples fato de serem mulheres somente em 2025 e a explosão de registros de violências diversas e brutais contra a parcela feminina da população que o país tem assistido nas últimas semanas.
O estado de São Paulo teve um crescimento de 96,4% dos registros de feminicídios desde 2021, conforme a publicação 'Retratos do feminicídio no Brasil', do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (veja abaixo). O dado confirma o noticiário que transforma em medo a existência feminina.
Mas o ato, assim como as denúncias que hoje são mais comuns do que nas décadas passadas, evidencia que a sociedade já não tolera mais a misoginia e combate os discursos de ódio que vêm ganhando espaço nas redes sociais e aplicativos reiteradamente denunciados como espaço de organização de criminosos (Discord, Roblox, TikTok, o próprio Instagram, entre outros).
Na semana anterior ao Dia da Mulher, por exemplo, viralizou no Instagram e no TikTok uma série de vídeos nos quais jovens, com os rostos à mostra dada a naturalização da barbárie, ensaiavam pedir uma mulher em namoro e, caso ela não aceitasse o pedido, espancá-la, esfaqueá-la, atirar contra ela, entre outras violências. É o chamado discurso 'red pill' (que ganhou este nome porque no início da sua difusão, nos Estados Unidos, os praticantes da misoginia digital usavam a figurinha da pílula vermelha disponibilizada em aplicativos de mensagem e redes sociais para passarem mensagens cifradas na rede).
O filho do ex-subsecretário de direitos humanos do governo do estado do Rio de Janeiro, que está entre os acusados do estupro coletivo de uma jovem de 17 anos, apresentou-se à polícia vestindo uma camiseta onde se lê "Regret Nothing" ("Não se arrependa de nada", na tradução livre). Tal como a suástica para o nazismo e o número 88 como mensagem cifrada de saudação ao sanguinário Adolf Hitler, tais mensagens passam despercebidas de muitos adultos na internet enquanto servem de ferramenta de recrutamento de milhares de jovens.
A falta de regulamentação de uso das ferramentas de inteligência artificial também traz riscos à integridade de mulheres e meninas, que têm sido vítimas de adulterações de imagens na internet com divulgação em massa de seus corpos "nus" ou em contextos sexuais fictícios, mas propagados como reais.
Por isso, os atos deste domingo em todo o país cobraram, além do funcionamento da rede de atendimento às mulheres e meninas vítimas de violências, ampliação dos equipamentos especializados e dos orçamentos para enfrentamento à misoginia, a criminalização de discursos que desvalorizam a parcela feminina da humanidade e a responsabilização das plataformas digitais por permitirem que esse tipo de conteúdo circule livremente. Além do fim da escala 6x1.




