NOTICIAS02/09/2026

Pesquisa revela apoio a mais investimentos públicos e rejeição à agenda do Estado mínimo

Por: JEFERSON LUIZ CHOMA
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Realizada pela Ipsos para o Global Fund for a New Economy (GFNE), a pesquisa “Percepções da Economia Brasileira” revela forte rejeição a teses centrais do neoliberalismo — como a redução do papel do Estado, a subordinação da política econômica ao mercado financeiro e a privatização de setores estratégicos. O levantamento indica, ainda, que a maioria dos brasileiros condena as privatizações e defende maior presença estatal na economia, serviços públicos de qualidade, redução da jornada de trabalho e combate às desigualdades.

Para 58% dos entrevistados, o sistema econômico favorece sobretudo os ricos e poderosos. A maioria também manifesta preferência por políticas que ampliem a atuação estatal e enfrentem problemas concretos, como o custo de vida e a insegurança econômica. Nesse sentido, 59% dos brasileiros apoiam o controle do Estado sobre empresas essenciais, e 66% endossam a interferência do governo nos preços dos combustíveis.
Essa preferência por um Estado mais atuante se mantém consistente. Enquanto 47% dos entrevistados defendem que o Brasil precisa de um ente público que invista no desenvolvimento de longo prazo e oriente o crescimento econômico, apenas 9% acreditam que a atuação estatal deva ser reduzida para dar lugar ao setor privado. O resultado atravessa espectros políticos: a defesa de um Estado forte não se restringe aos apoiadores do governo federal, aparecendo também entre críticos e opositores.

Distanciamento do mercado 

O levantamento revela, ainda, um significativo distanciamento da influência do mercado financeiro sobre as decisões econômicas. Apenas 24% dos entrevistados concordam que o governo deve seguir as recomendações dos mercados; 56% defendem que o governo deve priorizar o que considera melhor para os brasileiros, independentemente dos interesses financeiros, um dado que contrasta com o discurso recorrente na mídia corporativa, que associa o “bom para os investidores” ao “bom para o país”.
Além disso, 43% afirmam que o governo deveria ter poder para obrigar o Banco Central a reduzir os juros , índice que sobe para 49% entre os aprovadores da gestão federal e se mantém em 41% entre os desaprovadores, reforçando a transversalidade do tema.

Apoio ao fim da escala 6x1

No mundo do trabalho, o apoio a mudanças é expressivo: 73% dos entrevistados defendem o fim da escala 6x1, com jornada de 40 horas semanais e manutenção do salário. Entre os que desaprovam o governo, esse percentual ainda é alto, chegando a 60%. O fim da escala 6x1está em pauta no Congresso e essa semana será decisiva para a aprovação do projeto. 
Na área tributária, há forte apoio a medidas progressivas. Cinquenta e três por cento concordam com a taxação das grandes fortunas para financiar investimentos públicos, contra 27% que veem prejuízo nessa medida. Já a isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil é considerada importante ou muito importante por 69% dos brasileiros.

Arcabouço fiscal sob pressão

Sobre a austeridade fiscal, 58% defendem a flexibilização das regras do arcabouço fiscal — um dado relevante, uma vez que o atual dispositivo limita investimentos em serviços públicos e áreas sociais. O resultado sinaliza espaço para pressionar governo e Congresso por mudanças que permitam ampliar investimentos públicos e valorizar servidores.
A pesquisa foi conduzida pela Ipsos entre junho e julho de 2026, por meio de entrevistas on-line com 2.000 pessoas com 18 anos ou mais, das classes A, B e C.

Resultados tem impacto positivo para agenda dos servidores

No geral, os dados são positivos para a agenda dos trabalhadores e da defesa do serviço público. Eles demonstram que há espaço para reivindicar mais investimento público, valorização de servidores, melhores condições de trabalho e serviços de qualidade, em contraposição às privatizações, cortes de gastos e austeridade.
Para os servidores federais, o cenário é especialmente relevante: a defesa do serviço público pode ser apresentada como parte de uma demanda social ampla, e não como pauta meramente corporativa. Os resultados também criam condições favoráveis para contrapor a reforma administrativa, que tende a retornar ao centro do debate no Congresso Nacional após as eleições. Fica claro que a proposta de um Estado menor e menos presente não reflete o sentimento majoritário da população, abrindo caminho para mobilizar a sociedade em defesa de mais direitos e mais serviços públicos, e contra a privatização e a retirada de direitos.