Congresso da categoria repudiou genocídio estadunidense no Irã e Palestina
Etapa atual ameaça escalar o conflito e ampliar impactos da crise do petróleo.
Por: Luciana Araujo

Os ataques dos Estados Unidos e de Israel no Irã e no Líbano foram repudiados por unanimidade por delegadas e delegados participantes do 10º Congresso do Sintrajud, ocorrido entre os dias 12 e 15 de março.
Bombardeiros israelenses e dos EUA assassinaram o aiatolá Ali Khamenei e outros sete líderes políticos do país, o que vem sendo avaliado por analistas políticos como um risco de jogar o Irã nas mãos dos setores ainda mais radicais dos regime e intensificar as respostas iranianas. Além disso, já estima-se em mais de três mil os civis mortos, incluídas as 168 meninas e 24 professoras bombardeadas dentro de uma escola no primeiro dia dos ataques, em 28 de fevereiro (foto).
Para quem acredita que a guerra não tem nada a ver com categoria, o preço do barril de petróleo no mercado internacional já ultrapassou a marca dos 100 dólares, o que impacta diretamente no preço dos combustíveis. A gasolina tem sido vendida nos postos acima de oito reais o litro, e o diesel subiu quase 20%. O valor do frete (transporte de mercadorias de um ponto a outro) teve alta de mais de 50% em algumas regiões do país, como efeito da guerra, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira no 'Bom dia, Brasil', da Rede Globo - emissora de forte viés pró Estados Unidos.
Especialistas ouvidos pela CSP-Conlutas, central sindical à qual o Sintrajud é filiado, apontam que os bombardeiros Israelo-Estadunidenses no Irã são "parte do plano de limpeza étnica que os sionistas planejam para a região, afetando não somente os palestinos, mas todos os árabes da região com a construção da Grande Israel".
Enquanto ataca o Irã e o Líbano, Israel segue desrespeitando o cessar-fogo na Faixa de Gaza e impedindo a entrada de ajuda humanitária. E desde o último dia 28 de fevereiro, mais de um milhão de pessoas já foram deslocadas no Líbano, cerca de 20% da população do país.
O governo Trump reedita a postura de "xerife do mundo", impondo taxações a países para frear as relações econômicas com os imperialismos russo e chinês. Por isso, invadiu a Venezuela, impôs a pior fase de bloqueio econômico a Cuba (desligando inclusive o fornecimento de energia elétrica), ameaça a Colômbia. E tenta, com auxílio das bancadas de extrema direita no Congresso Nacional, impor a classificação de facções criminosas no Brasil como "organizações terroristas" - o que permitiria ataque diretos também ao país, que detém reserva comprovada de cerca de 16 bilhões de barris de petróleo e 546 bilhões de metros cúbicos de gás natural. Além de fomentar questionamentos à Justiça Eleitoral brasileira, argumento que justificou o ataque ao vizinho venezuelano.
Apesar da ditadura dos aiatolás ser uma tragédia, criada com financiamento dos Estados Unidos entre as décadas de 1950 e até a década de 1980, odiosa especialmente pela opressão às mulheres, é o povo iraniano que deve decidir o seu próprio destino, e não um imperialismo interessado nas imensas jazidas de petróleo existentes no subsolo iraniano




