Necessidade de unidade para defender direitos foi destaque na abertura do 10º Congresso
Alianças entre entidades sindicais, categorias e dentro da carreira judiciária foi defendida como mecanismo de enfrentamento a ataques e busca por direitos.
Por: Hélcio Duarte Filho

Na mesa de abertura do 10º Congresso, na sede do Sindicato, na capital paulista, a atuação conjunta foi apontada como premissa fundamental para fazer os enfrentamentos necessários em defesa de direitos ameaçados ou ainda não conquistados. A mesa foi coordenada por Isabella Leal e Cleber Aguiar, ambos da direção do Sintrajud, na noite de quinta-feira (12). A atividade se estenderá até domingo, dia 15 de março de 2026.
A presença de representantes de uma série de sindicatos e outras organizações políticas foi apontada como uma demonstração simbólica disso. “Ter essas entidades aqui hoje representa um simbolismo muito grande da unidade para construir caminhos para levar as nossas lutas do funcionalismo e de toda classe trabalhadora”, disse Fabiano dos Santos, representante da CSP-Conlutas (Central Sindical e Popular) que compôs a mesa de abertura.
Importância do debate
A servidora Luciana Carneiro, dirigente da federação nacional (Fenajufe) e integrante do Coletivo LutaFenajufe, observou que para construir a luta conjunta é preciso fazer um bom debate. “O Congresso do Sindicato é muito enriquecedor, e tem que debater conjuntura. Absolutamente nada do que a gente faça pode começar sem uma avaliação da conjuntura nacional e internacional. Ah, mas porque tem que ter conjuntura? Sem avaliar a conjuntura, como é que a gente vai saber o caminho e onde a gente quer chegar?”, justificou.
O metroviário Altino Prazeres, dirigente do sindicato daquela categoria em São Paulo, disse que o Congresso do Sintrajud ocorre num momento muito importante para a categoria e a classe trabalhadora, no qual a luta e a autonomia sindical também correm riscos diante dos setores que vêem na conciliação o melhor caminho para ‘enfrentar’ as forças reacionárias. “Temos que lutar contra a extrema direita sim, mas também temos que lutar contra os governos que nos atacam, temos que lutar por um outro projeto de sociedade”, defendeu.
A servidora Bianca Schmid, representando o sindicato dos servidores e servidoras do IBGE (Assibge), lembrou que essa atuação conjunta foi fundamental para deter a reforma administrativa (PEC-38/2025). “Foi graças ao esforço conjunto dos nossos sindicatos que a gente conseguiu frear o avanço dessa proposta. Mas a gente sabe que ela está ali, o grande capital está de olho nessa fatia do Estado brasileiro, é importante a gente estar ciente disso”, observou.
Representando a Aojustra, a Associação dos Oficiais de Justiça do TRT-2, Alexandre Franco disse que é preciso apostar na articulação conjunta da categoria. “A gente entende que a associação que represento cumpre um papel importante na defesa imediata desse segmento, mas a gente acha que é fundamental que a luta dos oficiais esteja junto com todas as lutas dos servidores e das servidoras do PJU e é por isso que a gente não abre mão de participar do Sindicato, de estar dentro dessa proposta”, disse. Ele criticou os setores que tentam criar sindicatos separados do setor, o que chamou de “aventura”. “Os oficiais de justiça são parte do PJU, é nessa luta que a gente deve estar”, defendeu.
Conversar
“É um prazer muito grande para nós lutar com o Sintrajud para melhorar o sindicalismo”, disse Douglas Alexsandro da Silva, da Regional São Paulo do SindReceita, o Sindicato Nacional dos Analistas Tributários da Receita Federal do Brasil. O servidor disse ainda que essa atuação conjunta precisa unir esforços para enfrentar o que identificou como um dos grandes desafios do momento: encontrar novas maneiras de conversar com as pessoas e trazer os trabalhadores e trabalhadoras para a luta sindical. Num mundo em que considerável parte das categorias está no teletrabalho, esse desafio ganha proporções ainda maiores, ressaltou. “Temos que buscar novas maneiras de conversar com as pessoas, de trazê-las para a luta”, disse, ao defender o fortalecimento de um sindicalismo que perdeu forças após a pandemia da covid.
Falando pela CSP-Conlutas, Cleber Rabelo assinalou o momento importante que representam esses dias de debates, horas preciosas para preparar a organização da luta sindical, ressaltando a conhecida história de atuação com independência e autonomia do Sintrajud. “Seja o governo que for, a categoria tem que ter independência de classe. Não negamos a negociação, mas a negociação tem que ser ancorada num processo de luta e mobilização”, disse, citando o que ocorreu com a chamada ‘PEC da Bandidagem’. Aprovada na Câmara, foi derrubada no Senado após manifestações contrárias levarem às ruas dezenas de milhares de pessoas.
“O Sintrajud ao longo desses anos é o grande parceiro que nós temos”, disse Thaíze Antunes, dirigente do Sinsprev-SP e que falou na abertura pela Fenasps (Federação Nacional dos Sindicatos de trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social), entidade na qual também integra a direção. “Temos novamente uma tarefa histórica, que é derrotar a extrema direita, nas eleições e também nas ruas. Os sindicatos cumprem um papel muito importante para isso, de organizar a classe”, disse, desejando um bom debate no congresso e que o Sintrajud siga sendo uma entidade de luta e classista.
Buscar alternativas
A professora Flavia Bischain Rosa, representando o PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado), também reforçou a necessidade de construir a unidade na atuação da classe trabalhadora por seus direitos. Mas ressaltou que isso não pode significar abrir mão de apresentar alternativas para um sistema destrutivo como o capitalismo. “É fundamental derrotar a extrema direita, mas não podemos cair no discurso que a única saída que existe é a conciliação de classe e a [aliança] com nossos inimigos. Precisamos de uma alternativa contra o capitalismo”, afirmou.
Falando pela organização partidária Unidade Popular (UP), a servidora Camila Oliveira, que integra a diretoria do Sintrajud, disse que é muito importante se envolver com as lutas conjuntas da classe trabalhadora de forma organizada. “Não adianta só a gente se indignar com o que está acontecendo, com os números do feminicídio, com a quantidade de pessoas desempregadas… adoecendo nos empregos que estão deixando todo mundo com doença mental, com burnout, como se isso fosse uma coisa normal. A gente não tem que trabalhar até morrer e a gente só vai conseguir reverter esse quadro se a gente se organizar como classe trabalhadora”, sustentou.
A servidora aposentada Angélica Olivieri, ex-dirigente do Sintrajud, representou o MPR (Movimento por um Partido Revolucionário), ao mencionar o que chamou de decadência do capitalismo, incapaz de atender as necessidades básicas dos trabalhadores e das trabalhadoras. “A gente sabe que existe uma extrema direita se fortalecendo no Brasil e no mundo. E que a classe trabalhadora tem, aqui, uma decepção com os governos do Lula. É importante que se construa [a luta] para enfrentar a extrema direita, mas isso no Brasil passa por também enfrentar o governo Lula e a sua política neoliberal”, disse.
Ester Nogueira, dirigente da da Assojaf-SP, reforçou criticou quem tenta semear divisão no interior da categoria. “A nossa associação representa os Oficiais de Justiça no Estado de São Paulo. Estamos aqui para somar, o que nós queremos é: os Oficiais de Justiça juntos com toda a categoria, junto com os técnicos, com analistas, fazendo com que as nossas reivindicações sejam pensadas como um todo”, explicou.
Ao final da mesa de abertura, as servidoras e servidores se dirigiram aos ônibus contratados pela organização do evento para levar as delegações a Bragança Paulista, onde o 10º Congresso do Sintrajud está ocorrendo.
Levavam na bagagem da viagem de quase duas horas de estrada, até o Hotel Villa Santo Agostinho, além das palavras em defesa da luta conjunta, outras desejando um bom encontro sindical. “Que seja um Congresso proveitoso, que posicione esse Sindicato da melhor forma possível, para que ele continue cumprindo o papel que sempre cumpriu nas lutas [da classe trabalhadora]. Que nos próximos dias tenhamos a capacidade de construir a unidade e os posicionamentos que o nosso Sindicato precisa para que essas lutas possam prosseguir”, disse Fabiano dos Santos.

Da esquerda para a direita, os dirigentes do Sindicato Cléber Borges e Isabella Leal, Fabiano dos Santos e Luciana Carneiro (Cláudio Cammarota)




