NOTICIAS13/03/2026

10º Congresso: Debate sobre a conjuntura ressalta que ataques a direitos são saída para a crise do capital

Confira a íntegra das palestras no Canal do Sintrajud no YouTube.
Por: Luciana Araujo
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Com muita participação desde a aprovação do regimento, o 10º Congresso do Sintrajud discutiu na manhã desta sexta-feira (13 de março) como a conjuntura internacional e nacional impacta nas vidas de servidoras e servidores.

O debate contou com a participação do sociólogo Ricardo Antunes (professor titular da Unicamp e uma das maiores autoridades em pesquisas sobre trabalho no Brasil), da cientista social Vera Lúcia Salgado (mulher negra, pré-candidata ao governo do estado de São Paulo e integrante da direção nacional do PSTU) e do metroviário Ricardo Senese, dirigente da Unidade Popular (UP) e do Movimento Luta de Classes (MLC).

Sem totalidade não compreendemos os ataques

Dirigente do PSTU e pré-candidata ao governo do estado de São Paulo, Vera Lúcia destacou a importância de não dissociar o debate sobre as questões de interesse específico da categoria da “disputa da nova ordem mundial, que é uma disputa de quem vai continuar controlando as riquezas do mundo".

"Se a gente não pensa o Brasil como parte dessa totalidade não conseguimos nos encontrar em nossa condição de servidores que estão sendo atacados nesse momento", ressaltou.

A palestrante ressaltou que o arcabouço fiscal e a política do governo Lula/Alckmin são parte dessa realidade. “Quebrar a estabilidade tem a ver com a instituição de um mesmo sistema de rotatividade do conjunto da classe trabalhadora, isso é incompatível com os direitos que os servidores ainda têm. A nossa necessidade concorre diretamente com o interesse dos capitalistas e seus governos. Então, por isso a unidade, a luta pela estabilidade, a luta pela garantia dos salários dignos, o serviço digno para a população é incompatível com o que fazem hoje os governos da extrema direita e o governo Lula”, frisou. Por isso, “buscar a unidade do conjunto dos servidores públicos do mesmo jeito que os trabalhadores da iniciativa privada”, concluiu Vera.

Manutenção e melhoria do serviço público

Ricardo Senese apontou que “precisamos olhar a conjuntura como ela está se colocando. É uma conjuntura que pede uma saída, que pede medidas sérias, que pede uma ofensiva concreta de toda a classe trabalhadora. E se é verdade que, por um lado, o imperialismo está mais radicalizado, praticando mais terrorismo, mais violência, colocando seu exército para atuar como nós estamos acompanhando, também é verdade que é uma ação desesperada. Essas ações desesperadas do imperialismo são a antessala de um processo revolucionário. Nós estamos vivendo uma pré-fase em que vão se abrir possibilidades de mudanças profundas no mundo que a gente vive. E nós, que defendemos o socialismo, estamos alertando toda a classe trabalhadora para este momento.”

Ricardo também destacou que “a gente precisa defender a manutenção e a melhoria do serviço público. O nosso movimento é justamente o contrário do que está colocado. É justamente pela abertura de concurso público, por ter mais trabalhadores e trabalhadoras servindo ao nosso povo. Inclusive ter uma lógica de questionar os penduricalhos do juiz, os ricos salários que eles recebem, enquanto a categoria está numa outra situação, com trabalhadores e trabalhadoras num ambiente de profundo assédio moral e de profunda exploração e opressão.”

Lutar contra a uberização do funcionalismo

“Houve uma fusão entre capital industrial e capital bancário, e hoje nós temos um monstro que domina o mundo, que é o capital financeiro. Para tudo, nós temos que ter cartão de crédito. Olha a contradição”, explicou. Junto com o domínio de um capital financeirizado, Ricardo Antunes frisou que “depois da terceirização, veio a chamada flexibilização, a intermitência, até chegar ao flagelo da uberização, que é o futuro do trabalho público se nós não lutarmos. E não é futuro distante não”.

O professor também criticou o projeto de lei complementar (PLC) 152/2025, que regulamenta o trabalho por aplicativos introduzindo na legislação que trabalhadores e trabalhadoras que prestam serviços a essas plataformas não são subordinados/as às empresas, encerrando a luta pelo reconhecimento do vínculo empregatício. “Juntou o Hugo Mota, um senador da direita, o ministro Boulos e estão achando que a classe trabalhadora vai engolir”, disse. Ele também divulgou uma petição digital que circula contra a propositura (acesse aqui).

 

“E se nós [servidores públicos] estamos precarizados com estabilidade. Se não tivermos estabilidade, nós vamos virar um uberizado”, enfatizou. “O Supremo Tribunal Federal defendeu a terceirização. Eu acho que os juízes do Supremo Tribunal Federal que defenderam a terceirização devem ser imediatamente terceirizados, ganhar 50 reais assunto [julgado]” afirmou, recebendo efusivos aplausos da plateia.