NOTICIAS18/06/2025

Sintrajud convida categoria à 29ª Parada LGBT+, neste dia 22, e criação do Núcleo do segmento

Por: Luciana Araujo
Sindicato marcou ponto de encontro da categoria às 11 horas do domingo, em frente ao Fórum Pedro Lessa (Avenida Paulista, 1682); ato termina na Praça Roosevelt.
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O Sintrajud está criando um Núcleo LGBT+. O objetivo é ter um espaço de organização de reivindicações específicas de servidoras lésbicas, bissexuais, trans ou travestis e servidores gays ou que exerçam toda a diversidade sexual possível. E também para servidoras/es familiares de LGBTs. A criação do Núcleo atende a uma reivindicação de colegas sindicalizadas/os.A estreia militante do colegiado será na 29ª Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, a maior manifestação do mundo, que vem reunindo anualmente cerca de três milhões de pessoas, muitas delas não LGBTs, mas contra os preconceitos e violências que afetam a população que não segue a heteronormatovidade compulsória.A partir das 11 horas do domingo (22 de junho), acontecerá o ponto de encontro do Sindicato, em frente ao Fórum Pedro Lessa (Avenida Paulista, 1682). A manifestação segue pela Rua da Consolação e termina na Praça Roosevelt.

Homofobia mata, e mata muito no Brasil

O Brasil é o país mais letal para a população transexual ou travesti, há mais de 15 anos, quando começaram os registros feitos por organizações do movimento LGBT+. O número parece incrível, mas na última década cresceram mil porcento (isso mesmo, 1000%) as violências contra a parcela de brasileiras e brasileiros LGBT+ (leia aqui).As violações começam de forma simbólica, como as "piadas" ou a rejeição ao uso de linguagem neutra, que desconhece que toda Língua é uma construção social que posteriormente resulta em normas linguísticas. Mas ocorrem também com a negativa de direito ao uso de banheiros públicos equivalentes ao gênero que as pessoas reivindicam, sem nenhuma justificativa além do preconceito. E chegam aos estupros "corretivos" (para "mudar" a orientação sexual) e assassinatos dos corpos que a sociedade tenta excluir de seu convívio.Por isso, o slogan da Parada deste ano é Envelhecer LGBT+ é memória, resistência e futuro. O objetivo é reforçar que chegar à velhice para essa população segue sendo um desafio que enfrenta a negligência do Estado e a LGBTfobia. Além de celebrar "quem desafiou o tempo, rompeu barreiras e pavimentou os caminhos do orgulho", diz o manifesto da organização.

Orgulho LGBT é fruto da luta

Marsha P. Johnson - transexual negra que liderou a Revolta de StoneWall (reprodução).

O dia 28 de junho, data internacional do Orgulho LGBT+, nasceu de uma revolta dirigida por transexuais e travestis negras em defesa do direito de existência de LGBTs que frequentavam o bar Stonewall, na cidade de Nova York (EUA) e eram frequentemente agredidos por homofóbicos civis e policiais. Em 1969, após seis dias de protestos, entrou definitivamente na agenda social a reivindicação da equidade de direitos para quem é generodiverso/a.

A organização no PJU

Nos próximos dias será divulgada a primeira reunião do Núcleo. Acompanhe em nossas mídias."O Sintrajud está dando um importante passo para trazer visibilidade às questões que afetam diretamente as trabalhadoras e trabalhadores LGBTQIAPN+. Nós celebramos a criação do Núcleo como um espaço de acolhimento e de construção de um Judiciário com mais equidade, para que a gente possa viver com mais respeito e dignidade. Saber que o Sintrajud tem um núcleo LGBTQIAPN + é saber que as questões que a comunidade enfrenta no cotidiano são importantes também para toda a categoria", aponta Luciana Barrozo, servidora do TRT-2 e uma das fundadoras do Núcleo."Nosso Sindicato sempre teve como prioridade o enfrentamento a todas as formas de opressão, dentre elas a LGBTfobia. Com a criação do Núcleo, ampliamos a capacidade desse enfrentamento, com um espaço de acolhimento e de construção das lutas, das mais urgentes às mais estruturais. Orgulho de ser Sintrajud", ressalta Fabiano dos Santos, também servidor do TRT-2, ex-dirigente do Sindicato e da Fenajufe. Atualmente na direção da central sindical à qual o Sintrajud é filiado - a CSP-Conlutas -, Fabiano também está à frente da criação do Núcleo.Servidor do JEF/Capital, Paulo Misawa afirma que "é extremamente importante a criação do Núcleo LGBTQIAPN+ na base do Sintrajud. Como parte da categoria, acredito que o Sindicato precisa ser um espaço onde todas as pessoas se sintam representadas, acolhidas e respeitadas – seja qual for a sua orientação sexual ou identidade de gênero. A criação desse núcleo é um passo fundamental para garantir visibilidade e voz às servidoras e servidores LGBTQIA+, além de promover a escuta, o diálogo e a construção de políticas sindicais mais inclusivas. É, também, uma forma de enfrentarmos juntos o preconceito e as violências – muitas vezes silenciosas – que ainda existem em nossos locais de trabalho".Que todas as trabalhadoras e trabalhadores do Judiciário Federal no Estado de São Paulo que são LGBT+ ou familiares sintam-se parte dessa construção é a mensagem que a diretoria do Sintrajud ressalta. Para mais informações, envie e-mail para sintrajud@sintrajud.org.br.