NOTICIAS01/04/2025
Nos 61 anos do golpe empresarial-militar, protestos repudiam anistia para golpistas de 2023
Por: Luciana Araujo
Atos em todo o país neste domingo lembraram as perseguições, prisões, torturas, estupros e assassinatos promovidos por agentes da ditadura e também as milhares de mortes evitáveis por Covid-19 em função do negacionismo do governo Bolsonaro, além da tentativa de golpe de 08 de janeiro de 2023 e seus atos preparatórios; protestos têm como slogan "sem anistia para golpistas".

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Nesta segunda-feira (31 de março) completaram-se 61 anos do início da movimentação golpista das tropas comandadas pelo general Mourão Filho em direção ao Rio de Janeiro, de onde iniciaram a sublevação que a partir de 1º de abril de 1964 (por ironia da história, no dia da mentira) jogou o país numa longa noite de terror chamada pelos golpistas militares de "revolução". No último domingo (30), atos em diversas capitais do país denunciaram que a impunidade ao golpismo "de ontem" deu asas à tentativa de mais uma vez colocar o Brasil sob uma ditadura militar.Os protestos aconteceram quatro dias após a primeira turma do Supremo Tribunal Federal aceitar por unanimidade a denúncia da Procuradoria-Geral da República e tornar réus o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete aliados. São eles: Alexandre Ramagem (PL/RJ), ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e deputado federal; o ex-comandante da Marinha Almir Garnier; e os ex-ministros Anderson Torres (Justiça), Augusto Heleno (GSI - Gabinete de Segurança Institucional); Paulo Sérgio Nogueira (Defesa) e Braga Netto (Casa Civil e candidato a vice-presidente na chapa derrotada em 2022); além do delator Mauro Cid, que foi ajudante de ordens de Jair. Todos vão a julgamento que vai apurar suas responsabilidades nos crimes de tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.A decisão histórica de pela primeira vez julgar um ex-presidente da República e comandantes das forças armadas por tentativa de ruptura institucional para se manter no poder aconteceu no mesmo dia em que a diretora do Sintrajud e militante desde a época do enfrentamento à ditadura, Ana Luiza Figueiredo Gomes, foi anistiada da perseguição política e trabalhista que foi vítima. Ana fora demitida pelo Unibanco em 1979, por participar de uma greve (leia mais aqui).Em São Paulo, os manifestantes saíram da Praça Oswaldo Cruz, no início da Avenida Paulista, em caminhada até o 36º Distrito Policial, no bairro do Paraíso. A atual delegacia foi sede do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna), um dos maiores centros de tortura, mortes e desaparecimentos da ditadura. Manifestantes abriram por alguns minutos no local uma faixa na qual estava escrito "Ditadura nunca mais!" e ao som da palavra de ordem "Sem anistia, e sem perdão, eu quero ver Bolsonaro na prisão" lembraram das vítimas do regime dos quarteis e da pandemia, da violência policial que ainda hoje mata um jovem negro a cada 23 minutos. Uma carta foi lida no local por uma representante da Associação de Vítimas e Familiares de Vitimas da Covid-19.Neste dia 1º de abril, a partir das 18 horas, o Cordão da Mentira (tradicional bloco-manifesto) fará o percurso com início no Pátio do Colégio, centro de São Paulo, com o tema “Desfile Para Adiar o Fim do Mundo”, lembrando os genocídios indígena, palestino, da população negra e periférica e das vítimas da Covid-19 e do negacionismo de Bolsonaro.







