Após a vitória: Manter nas ruas e nas categorias a luta contra a extrema direita golpista e por direitos
O que pensa a diretoria do Sintrajud sobre a vitória da classe trabalhadora nas eleições do último domingo, a força das ruas e os desafios do próximo período.
Por: Diretoria Executiva

A reeleição do presidente Luís Inácio Lula da Silva para o seu quarto mandato representa um feito histórico de alcance global. Trata-se do ápice de uma potente onda democrática que não apenas evita a escalada conservadora de extrema direita no Brasil na condução dos poderes Executivo, Judiciário e Legislativo, como projeta um sopro de esperança para toda a América Latina e no cenário internacional. Não à toa, países do continente e do mundo inteiro acompanharam o processo eleitoral em nosso país e muitos governos e povos celebraram a derrota de Flávio Bolsonaro.
O protagonismo dessa vitória, como reconheceu o presidente em sua fala na Avenida Paulista no domingo, 25 de outubro, pertence integralmente à classe trabalhadora e à sua capacidade de organização e resistência. Nas ruas e no cotidiano de lutas, a virada eleitoral surpreendente foi construída por sujeitos históricos que recusaram a resignação: os trabalhadores que exigem o fim da escala 6x1, os servidores públicos que enfrentam o desmonte e a precarização do Estado, idosos que viveram sob uma ou duas ditaduras em nosso país e jovens e estudantes que reivindicam o direito de sonhar com o amanhã. A essa vanguarda uniu-se a força transformadora das mulheres, da população negra, dos povos indígenas, da comunidade LGBTQIAPN+, das pessoas com deficiência e da população idosa — setores historicamente agredidos que se dedicaram com coragem e generosidade para resgatar o futuro das novas gerações.
Essa conquista popular ganha contornos ainda mais grandiosos diante da magnitude das forças reacionárias que tentaram impedi-la.
Dos quatro governos de Lula, este é o primeiro que é eleito contra legendas como MDB, PL, PSD, Republicanos - que nas três eleições anteriores (2002, 2006 e 2022) compuseram formalmente as coligações de Luís Inácio ou estiveram engajados nas campanhas. Além da já mencionada ação do capital financeiro (que agora opera um ataque especulativo ao país), big techs, grande mídia, do agronegócio, dos grupos criminosos entranhados em gestões municipais e estaduais, e da farra das emendas parlamentares acobertadas pelo "orçamento secreto", operadas para desviar verbas públicas e inflar o fisiologismo político. E ainda contra a face mais vil do coronelismo moderno: empresários do transporte e administrações locais — com destaque para a prefeitura de São Paulo, hoje alvo de uma comissão parlamentar de inquérito na Câmara Municipal — acusadas de terem atuado deliberadamente para sabotar o direito ao voto, criando entraves ao deslocamento de eleitores em periferias e redutos eleitorais das esquerdas.
O processo eleitoral se encerrou, apesar da atuação vergonhosa do candidato derrotado Flávio Bolsonaro. A postura de Flávio foi classificada até por aliados como "patética", com sua negativa em reconhecer o resultado eleitoral, uma fuga para os Estados Unidos deixando seus 60 milhões de votantes sem ao menos um agradecimento e uma carta ridicularizada no mundo inteiro onde se declarou o "verdadeiro presidente eleito" e teve que corrigir a mando da própria Casa Branca.
Embora derrotado eleitoralmente, o bolsonarismo não desistiu do golpismo e, por isso, diante dessas ameaças, a resposta não pode ser a acomodação.
Proteger os avanços democráticos - mesmo com as contradições inerentes ao sistema capitalista - e combater o autoritarismo e o golpismo, exige valorizar os serviços públicos, o que torna urgente o provimento de cargos vagos, a realização de novos concursos e a nomeação de pessoal, sanando o déficit crônico de servidores em áreas vitais — inclusive na própria Justiça Eleitoral, pilar da organização democrática do país.
O maior ganho desta jornada foi, sem dúvida, o resgate da esperança, da solidariedade e da fé na ação coletiva e consciente nas ruas. É exatamente essa autonomia da classe trabalhadora que fundamenta a postura reafirmada pela diretoria do Sintrajud de que a independência de classe é o único caminho para defender conquistas e avançar sobre novas garantias.
Para o período que se inicia, a prioridade da categoria é derrubar o veto às parcelas do reajuste de 2027 e 2028 e garantir o encaminhamento, a aprovação e a sanção do plano de reestruturação da carreira do Judiciário — assegurando a equiparação dos analistas às carreiras do ciclo de gestão e a fixação das proporções salariais de técnicos e auxiliares em 85% e 70% (Ciclo-85-70). No entanto, junto com outras categorias do funcionalismo e setores da classe trabalhadora, será preciso manter a unidade que venceu as eleições para pautar, das ruas, a garantia das demandas populares, impedindo que a nova gestão ceda às pressões pela austeridade que retira direitos e desmonta serviços públicos. Tirar o país das amarras do arcabouço fiscal para viabilizar a inclusão de trabalhadores/as e população pobre no orçamento, impedir a aprovação de uma "reforma" administrativa e/ou previdenciária, e também bloquear a recuperação de fôlego da extrema direita com base em frustrações de anseios populares.
O momento é de celebração e orgulho pelo que fizemos, e esses dias de feriado vão ajudar no merecido descanso desse período de campanha, mas precisamos estar preparados porque a luta está apenas recomeçando.
Diretoria Executiva do Sintrajud




