Sintrajud defende construir calendário de mobilização e greve para derrubar Veto 45 e arrancar carreira com sobreposição e auxílio-nutrição
Ameaças à organização sindical e direito à negociação coletiva para o funcionalismo público também foram debatidos.
Por: Luciana Araujo

O painel “Organização Sindical, Unidade da Categoria e Fortalecimento da Atuação Nacional” aconteceu nessa tarde de sábado (06 de junho de 2026) na 25ª Plenária Nacional da Fenajufe, em Salvador. O evento será encerrado neste domingo (07). Luciana Carneiro, servidora do Tribunal Regional Federal da 3ª Região e diretora da Federação eleita para representar o estado de São Paulo, foi uma das palestrantes, representando a CSP-Conlutas, central sindical à qual o Sintrajud é filiado. Ela dividiu a mesa com Alfredo Santos Jr., representante da Central Única dos Trabalhadores da Bahia – CUT/BA, e João Paulo Ribeiro, que falou pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB.
Luciana começou sua fala lembrando a importância da categoria se reconhecer como parte da classe trabalhadora. “Temos que derrotar a escala 6x1 porque ela vai se refletir em nossa categoria. A pejotização também nos afeta. Mesmo que a gente consiga derrotar a extrema direita que não quer o fim da jornada 6x1, e for aprovada a pejotização – que já tem parecer favorável´do procurador-geral da República –, de nada vai adiantar esta luta”, disse.
“O nosso plano de reestruturação da carreira, a derrubada do Veto 45, nada disso será consolidado sem que a gente tenha uma consciência de que se não estivermos unidos não conseguiremos. Somos uma categoria só – técnicos, analistas, com especialidade, sem especialidade. Estamos todos e todas no mesmo barco”, frisou.
E para a construção da unidade com perspectiva de avançar nas reivindicações da categoria, Luciana defendeu que “se não nos unirmos com a classe trabalhadora e o conjunto do funcionalismo público, não conseguiremos aprovar isso aqui [disse mostrando uma impressão do projeto de lei 1893/2026 - que regulamenta a negociação coletiva nos serviços públicos]. Sem deixar de criticar que o texto do PL afirma que um dos objetivos é “reduzir a incidência de greves no setor público”, dispositivo que não está na Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho, que inspirou a propositura.
A dirigente destacou ainda que “queremos negociação coletiva efetiva, e que as entidades do funcionalismo público tenham autonomia para negociar. Que não seja igual no Fórum de Carreira, onde estamos presos há três anos, de conversa para cá e toma café para lá, e a gente não tem uma negociação, porque o que sai de lá e é encaminhado ao STF é alterado. O STF não tem uma negociação efetiva.” E lembrou que não será a Fenajufe sozinha que vai conquistar a garantia da regulamentação desse direito do funcionalismo público postergada desde a promulgação da Constituição de 1988.
Nessa perspectiva, Luciana também criticou a saída da Federação do Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais. “Foi um erro sair do Fonasefe. Precisamos nos fortalecer e reforçar nossa unidade”, frisou. O Fonasefe foi uma articulação fundamental para a derrota da proposta de emenda constitucional 32/2020 (a reforma administrativa do governo de Jair Bolsonaro). E também quando a categoria judiciária teve dificuldade de engrossar a mobilização que conquistou o reajuste de 19,25%. "Fizemos um ato em frente ao STF num sol escaldante e quem estava com a gente lá, porque da nossa categoria poucas entidades atenderam ao chamado, e quem engrossou aquele ato foram os camaradas do Fonasefe que nos ajudaram a tocar vuvuzelas, o que fez com que o Fux [então ministro-presidente] recebesse uma comissão da Fenajufe. Se não tivéssemos essa parceria dos camaradas do Fonasefe seríamos poucos, umas 50 pessoas, no máximo", lembrou,
Construir um plano de lutas e greve em defesa da carreira
Luciana também defendeu que é momento de reforçar a mobilização da categoria, a fim de garantir a inclusão de servidores e servidoras no orçamento. “Temos que sair de uma postura protocolar para convocar a categoria para uma luta efetiva. Greve é o maior instrumento que nós temos. É difícil construir uma greve? Para caramba. Mas precisamos conversar com as nossas bases sobre isso. Nâo vamos conseguir aprovar o nosso projeto de reestruturação da carreira com ciclo de gestão para analistas, 85-70, reenquadramento para auxiliares e sobreposição de tabelas, se a gente fica sentados nas nossas estações de trabalho, mandando e-mails ou assinando abaixo-assinados para produzir muito e a magistratura embolsar o ‘faz-me rir’”, afirmou.
Durante as intervenções, todas as pessoas da delegação do Sintrajud sorteadas para contribuir com o debate também defenderam a unidade dentro da categoria e com outros setores do funcionalismo, e a construção de um plano de lutas que inclua a realização de greve em agosto – tendo em vista que o dia 31 deste mês é o prazo para apresentação do Projeto de Lei Orçamentária Anual para 2027 ao Congresso Nacional.
“A articulação com outras categorias é fundamental. Por exemplo, reivindicamos o auxílio-nutrição, que não vamos conseguir aprovar só para o Judiciário. A reforma administrativa, já nos deram o recado que vai ser retomada depois das eleições”, frisou Isabella Leal, diretora do Sintrajud.
Também diretor do Sindicato, Maurício Rezzani lembrou o veto ao reajuste salarial em 2015 e destacou que “sem mobilização é improvável que a gente consiga alguma coisa. Temos que valorizar a nossa carreira, temos que ser contrários a quaisquer propostas que excluam os aposentados ou possam piorar as condições de vida dos servidores, como as gratificações de desempenho. E na Justiça Eleitoral temos também que defender os requisitados enquanto não se cria cargos efetivos, sempre contra a terceirização”, disse.
Outra dirigente do Sintrajud sorteada para falar neste painel foi Rosana Nanartonis. “A gente tem que se identificar como classe trabalhadora e não entrar na história da Carochinha que diz que a gente é ‘colaborador’. O salário só é bom hoje por causa das lutas antigas”, frisou.
Henrique Sales, diretor de base do Sindicato e servidor do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, resgatou que “nossa categoria abandonou o debate da correlação de forças. Não adianta ter o melhor projeto se não tiver correlação de forças. Essa plenária precisa de um indicativo de greve para derrubar o Veto 45 e, pouca gente tem falado isso, porque a diretora-geral do STF nos prometeu uma contraproposta”.
Assista abaixo à íntegra do debate:




