Ex-diretor-geral reforça que Fórum de Carreira "não tem poder de decisão" e discussão "deve ser feita junto ao STF"
Por: Luciana Araujo

Aconteceu nos últimos dias 23 e 24 o 7º Encontro do Coletivo Nacional de Técnicos/as do Judiciário Federal e do Ministério Público da União (Contec). Organizado pela Fenajufe, o Coletivo debateu a inércia do Supremo Tribunal Federal para encaminhar o projeto de reestruturação da carreira construído pela categoria.
"O evento foi muito bom, porque reafirmou o que foi decidido pela categoria nos fóruns competentes (as plenárias e o congresso). Aprovamos Carta de Brasília, que reitera a luta pelo PCCS, a recomposição salarial, a sobreposição, e a questão da unidade, inclusão dos analistas no ciclo de gestão e reenquadramento dos auxiliares", frisou a diretora de base Maria Ires Graciano Lacerda, servidora lotado na Central de Cálculos (CECALC) do JEF/Capital.
"E a fala do Amarildo confirmou o que a gente sempre falou, que quem está representando as administrações do Fórum de Carreira não tem poder de decisão, que deve ser feita junto ao STF. E isso reforça a necessidade de retomarmos a negociação diretamente com o Supremo", concluiu Ires.
Servidor de carreira e ex-diretor-geral do Supremo, Amarildo Vieira de Oliveira respaldou o que o Sintrajud vem defendendo desde o protocolo do anteprojeto de reestruturação da carreira. A diretoria do Sindicato tem polemizado com o grupo majoritário na direção da Fenajufe, alertando que desde 2020, quando foi criado, o Fórum de Carreira do Conselho Nacional de Justiça não trouxe nenhum ganho para a categoria.
"Toda vez que a gente constituía uma comissão lá no Supremo, a gente tinha aquela emergência da questão salarial. A gente sabia que tinha muita coisa na carreira mal resolvida, que estava empurrada para baixo do tapete. A gente começava a discutir, e são questões complexas", lembrou Amarildo.
De acordo com o atual presidente da Funpresp-Jud (entidade mantenedora dos planos de previdência complementar no Poder Judiciário), o tempo sempre jogou contra a categoria. "A gente não tinha tempo, corria contra o tempo às vezes, querendo aproveitar janelas de oportunidade, aproveitar o presidente da época, que estava disposto ali, que comprou a nossa briga. E a gente acabava resolvendo a questão emergencial que era salarial, e deixava essas questões mais complexas, que eram a sobreposição, as atribuições dos cargos, essa dicotomia entre analista e técnico", refletiu.
"Eu propus levar ao STF essa preocupação e a forma como foi feito. Porque quando a gente propôs criar a comissão para discutir carreira no CNJ, [a ideia] não era que ela apresentasse projeto. Era que ela apresentasse as soluções para as questões, pois como eu disse aqui, quem resolve, quem capitaneia todo o processo é o STF", enfatizou Amarildo.
Também participaram do Encontro os diretores de base Geremias Oliveira Ferreira (TRE-SP), Sandra Tirlone (JF/Santos) e a servidora Adriana Rodrigues de Souza Graciano (TRT-2).